Após explosão de casos, Covid dá sinais de desaceleração na capital paulista

Nesta quinta, a cidade de São Paulo registrou 292 novos casos da doença e média móvel de 1.265

Movimentação de pessoas em São Paulo

Movimentação de pessoas em São Paulo | bruno_rocha_fotoarenafolhapres

Ainda em situação de alarme após a recente explosão de casos de Covid, provocada pela variante ômicron, a cidade de São Paulo começa a registrar os primeiros sinais de arrefecimento da onda, com estabilização do número de internações e queda de novos casos. 

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Existem indícios de desaceleração na capital, porém o interior ainda vive uma explosão de casos. 

Quando observados os dados de todo o estado, incluindo os da capital, o cenário é de aumento da quantidade de hospitalizações e de registro de novos casos. 

Para especialistas, a diferença pode ser explicada pelo fato de a capital paulista ter sido a primeira cidade a receber a variante do novo coronavírus, que só depois se espalhou para municípios do interior. 

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Por ter alto poder de transmissão, o curso da ômicron em outros países, como Reino Unido e África da Sul, já indicava que a variante causa um pico de onda muito maior e mais ágil do que as cepas anteriores, mas de menor duração. 

Nesta quinta (26), a cidade de São Paulo registrou 292 novos casos da doença e média móvel de 1.265. Em 10 de janeiro, o município contabilizou 10.570 novos casos e média móvel de 7.534 –os maiores índices de toda a pandemia.

O estado de São Paulo, no entanto, ainda vê um grande aumento de casos. Só nesta quinta (26), foram registrados 13.184. A média móvel atingiu 9.797 –a maior desde 18 de julho de 2021–, quase o dobro da média móvel da semana anterior, de 5.781. 

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“Como a ômicron é transmitida muito rápido, é provável que a gente veja essa nova onda em ritmos diferentes dentro do país e até mesmo dentro dos estados. Ela chegou primeiro à capital paulista, infectou muita gente e agora já não encontra mais pessoas suscetíveis à infecção”, diz o pesquisador da Fiocruz Leonardo Bastos, membro do Observatório Covid-19 BR e especialista em modelagem estatística de doenças infecciosas. 

Os especialistas, no entanto, são cautelosos ao avaliar os dados de internações, que sugerem estabilidade na capital. Pessoas que foram infectadas demoram a apresentar complicações. 

Nesta quinta, a capital tinha 383 pessoas internadas em leitos de UTI para Covid, menos do que no dia anterior. A taxa de ocupação também teve queda em relação aos cinco dias anteriores, mas a redução se deve à abertura de novos leitos pela prefeitura. 

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Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, foram abertos 1.278 novos leitos, sendo 712 de enfermaria e 566 de UTI. “Caso seja necessário, mais leitos serão ativos para o tratamento dos munícipes diagnosticados com Covid-19”, disse a pasta em nota. 

No estado, o número de pessoas internadas segue em crescimento. Nesta quinta, 3.633 leitos de UTI Covid estavam ocupados. A taxa de ocupação, mesmo com a abertura de novos leitos, era de 68,67%. Sete dias antes, era de 54,3%. 

“Assim como nas outras ondas, cidades que são as principais portas de entrada do país vivem primeiro a explosão de casos. Embora haja indícios de desaceleração na capital, o número de contágios é ainda muito alto e o efeito ainda pode ser muito grande com complicações e mortes de quem foi infectado”, diz Wallace Casaca, coordenador da plataforma Info Tracker. 

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Ele ressalta que os efeitos podem ser ainda mais graves em regiões com menor disponibilidade de leitos, como é o caso das diretorias regionais de saúde de Taubaté e de São José do Rio Preto, que, nesta quinta, já tinham 79,8% e 75,9% dos leitos de UTI ocupados, respectivamente. 

Os especialistas afirmam ainda que a queda de casos de Covid na capital pode ser resultado da falta de testes disponíveis, o que esconde principalmente os casos assintomáticos. Nas últimas semanas, laboratórios, farmácias e até hospitais da capital tiveram falta de testes para população. 

Diante do cenário incerto, os especialistas dizem ser preocupante a ausência de medidas de restrição para diminuir as taxas de contágio. 

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“Em nenhuma esfera está sendo adotada qualquer medida para diminuir esse avanço, seja no governo federal, estadual ou municipal. Há uma ação generalizada do poder público e o que estamos vendo é chocante: pessoas que não conseguem se testar, leitos de hospital se esgotando, atendimentos de síndrome gripal demorando horas. Há muitos indícios de que a situação é pior do que os dados nos mostram”, diz Casaca. 

Procuradas, nem a Secretaria de Estado da Saúde nem a municipal responderam, até a publicação desta reportagem, se pretendem adotar medidas de restrição.