Arma de 649 anos: soldados procuravam minas terrestres e encontraram arma de bronze que pode ser a mais antiga já descoberta

Peça de bronze apareceu durante uma varredura em uma montanha e foi identificada após três anos de análises

Hwangja Hwatong foi encontrado por soldados durante uma operação de busca por minas terrestres na Coreia do Sul. (Foto: Reprodução/Yonhap News)

Soldados procuravam minas terrestres em uma montanha da Coreia do Sul quando o detector indicou algo escondido a poucos centímetros do solo. Em vez de um explosivo moderno, encontraram um pequeno objeto de bronze que poderia estar enterrado ali há mais de seis séculos.

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A descoberta aconteceu em novembro de 2023, no monte Geumseong, em Naju. Depois de quase três anos de estudos, pesquisadores identificaram a peça como um Hwangja Hwatong, uma antiga arma portátil que utilizava pólvora para lançar flechas ou outros projéteis. Hoje, ela é considerada a arma de pólvora mais antiga conhecida na Coreia.

Um achado inesperado

O objeto estava enterrado a cerca de 10 centímetros de profundidade. A operação realizada no local buscava minas em uma área que seria inspecionada antes da construção de uma trilha.

O que surgiu do solo tinha proporções modestas. O Hwangja Hwatong mede 23,75 centímetros de comprimento, possui calibre de 1,66 centímetro e pesa 1,032 quilo. Apesar do tamanho, a peça ajudou pesquisadores a recuar em mais de um século o registro físico conhecido das primeiras armas de pólvora coreanas.

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A estrutura era dividida em três partes principais. Havia um encaixe destinado a um cabo de madeira, uma câmara para a pólvora e a abertura pela qual o projétil era disparado.

28 caracteres deram pistas

Boa parte da história da arma permaneceu gravada no próprio bronze. Pesquisadores encontraram 28 caracteres na peça, 27 deles distribuídos em seis colunas na região onde o cabo era encaixado.

As inscrições registram o nome da arma, seu peso, o responsável por supervisionar a fabricação e o artesão que a produziu. Outro caractere, equivalente ao número oito, aparece próximo à boca e pode ter funcionado como número de fabricação ou inventário. 

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Um detalhe, porém, deixou uma dúvida histórica. A inscrição informa que a arma foi produzida no 12º mês de um ano chamado Jeongsa, referência ligada ao antigo ciclo de 60 anos utilizado para marcar o tempo.

A partir disso, os especialistas chegaram a duas possibilidades: 1377 ou 1437. Em qualquer um dos casos, o artefato é mais antigo do que os exemplares de armas de pólvora coreanas conhecidos anteriormente. 

Bronze revelou fabricação antiga

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Os pesquisadores recorreram a exames de tomografia computadorizada, raios X e análises metalúrgicas para investigar como a arma havia sido construída.

A peça foi fundida principalmente com cobre, estanho e chumbo. A análise microscópica também revelou impurezas associadas às técnicas de refino disponíveis naquele período, reforçando que o objeto foi produzido por métodos tradicionais. 

A câmara de pólvora arredondada chamou atenção. O formato é diferente daquele encontrado em armas desenvolvidas posteriormente durante o reinado de Sejong, o que pode apontar para uma fase anterior da evolução dessa tecnologia.

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Nenhum resíduo identificável de pólvora foi encontrado no interior da peça.

Como a arma foi parar ali?

O lugar da descoberta acrescentou outra questão. O monte Geumseong fica próximo à região do rio Yeongsan, uma área historicamente estratégica.

Uma hipótese apresentada pelos pesquisadores é que a arma tenha sido utilizada na defesa da região. Piratas japoneses chegaram a navegar pelo rio Yeongsan para realizar saques, enquanto a montanha oferecia uma posição geográfica importante para proteção do território. Ainda não é possível afirmar, porém, que esse tenha sido o contexto em que o Hwangja Hwatong foi usado. 

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O artefato também atravessa um período particularmente importante da história coreana: a transição entre o fim da dinastia Goryeo e o início da dinastia Joseon.