A conquista de 1.956.238 votos na eleição de 2026 garantiu a Eduarda Campopiano (PL) o posto de segunda deputada estadual mais votada da história da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com 8,39% da preferência do eleitorado paulista, a parlamentar eleita de 23 anos consolida sua representação no Legislativo estadual após construir trajetória marcada pela atuação digital e pela defesa de pautas conservadoras.
A trajetória meteórica de Eduarda Campopiano começou no litoral, onde atuou como vereadora em Praia Grande e comentarista na imprensa regional e nacional, como a Jovem Pan. Sua plataforma digital se baseia na confrontação direta com movimentos sociais, no antifeminismo e na defesa de bandeiras morais rígidas.
Confira abaixo o raio-X das dez posições e declarações emblemáticas que pavimentaram o fenômeno eleitoral da parlamentar:
Veja as 10 declarações de Eduarda Campopiano
Rejeição contundente ao movimento feminista: a oposição radical ao feminismo marcou os primeiros passos de Eduarda Campopiano. Em 2021, aos 18 anos, ao comentar uma obra sobre o tema, ela afirmou: “Não devo NADA ao feminismo. Nenhuma mulher deve”.
Ataque direto ao enquadramento de feminicídio: Eduarda Campopiano polemizou ao questionar a qualificadora penal de gênero no programa RedCast, e declarou abertamente que “Feminicídio não existe”, sob a premissa de que não se pode comprovar a motivação de gênero em crimes fatais contra mulheres.
Adoção de critério biológico estrito para identidade de gênero: a recusa de Eduarda Campopiano em reconhecer a identidade transgênero fundamenta suas manifestações públicas. Em debate sobre o tema, a parlamentar afirmou que “o que te faria uma mulher biológica seria um útero”.
Exigência de restrição absoluta no uso de banheiros femininos: o bloqueio do acesso de mulheres transgênero a banheiros femininos tornou-se uma bandeira recorrente. Em 2026, a pauta ganhou força em vídeo gravado em parceria com o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL).
Oposição frontal às cotas e defesa irrestrita do mérito: a contestação ferrenha do sistema de ações afirmativas é pilar do seu programa. A parlamentar defendeu publicamente em maio que “vestibular não é para ser inclusivo”, sustentando que o acesso ao ensino superior deve ser puramente meritocrático.
Negativa sobre impactos atuais do período de escravidão: a discussão sobre políticas afirmativas na Câmara de Praia Grande registrou um dos momentos mais tensos de seu mandato local, quando a parlamentar declarou que “nenhum negro nessa sala foi escravizado”.
Defesa da colonização e polêmica sobre povos indígenas: a declaração de maior repercussão de Eduarda Campopiano ocorreu em 2026 no RedCast, quando afirmou: “Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias”, associando o período pré-colonial a práticas de sacrifício.
A fala motivou a formalização de um boletim de ocorrência por racismo por parte da ativista indígena Katú Mirim, caso ainda sob apuração e no qual a assessoria da parlamentar alega que o trecho foi tirado de contexto.
Defesa irrestrita da pauta pró-vida contra o aborto: a rejeição ao aborto em qualquer situação legal orienta as pautas de Eduarda Campopiano. A parlamentar sustenta que “Como mulher, é minha obrigação defender a vida desde a concepção”, opondo-se inclusive aos casos autorizados por lei no Brasil.
Autoimagem no ambiente digital como “inimiga das feministas”: a postura combativa da Eduarda Campopiano foi incorporada à sua própria marca digital. Em suas redes oficiais, ela se define abertamente como “a maior inimiga das feministas de SP“.
Campanha eleitoral alinhada à pauta moral conservadora: o desfecho da campanha de 2026 da parlamentar foi selado com um vídeo em tom de ironia ao lado de Lucas Pavanato, encerrando com o slogan “homem é homem e mulher é mulher”, o que gerou centenas de milhares de interações na reta final da votação.
Força do ambiente digital e a ascensão da nova direita paulista
O resultado das urnas confirma o vigor do ambiente digital da nova direita em São Paulo. O modelo de cortes virais para plataformas digitais, combinando discurso conservador direto e embate constante, consolidou Eduarda Campopiano como uma das maiores forças eleitorais da Assembleia Legislativa de São Paulo.





















