Astrônomos captam pela primeira vez sinais de rádio de um planeta fora do Sistema Solar

Detecção em Beta Pictoris b, a 63,4 anos-luz da Terra, permite investigar o campo magnético de um exoplaneta por meio de suas emissões de rádio

Representação artística do sistema Beta Pictoris, com o planeta gigante e o material que circunda a jovem estrela. (Foto: Reprodução/NASA/ESA/CSA/STScI/Ralf Crawford)

Representação artística do sistema Beta Pictoris, com o planeta gigante e o material que circunda a jovem estrela. (Foto: Reprodução/NASA/ESA/CSA/STScI/Ralf Crawford)

Durante décadas, os astrônomos observaram planetas distantes principalmente pela maneira como eles interagem com a luz. Agora, uma equipe conseguiu captar diretamente sinais de rádio associados a um mundo localizado a 63,4 anos-luz da Terra, abrindo uma nova possibilidade para estudar ambientes que estão muito além do Sistema Solar.

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O alvo da descoberta é o Beta Pictoris b, um gigante gasoso detectado em 2008. As emissões foram identificadas por pesquisadores do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian e da Universidade de Oregon, que utilizaram o radiotelescópio sul-africano MeerKAT para observar o sistema.

A descoberta chama atenção porque a equipe conseguiu associar a emissão diretamente ao planeta, e não à estrela que o acompanha. Segundo os pesquisadores citados pela fonte, nenhuma detecção anterior havia localizado de maneira inequívoca uma emissão de rádio auroral em um exoplaneta.

Sinais de rádio revelam detalhes do planeta

As observações ocorreram em quatro sessões realizadas entre 2025 e 2026. Durante os registros, os pesquisadores identificaram tanto pequenas rajadas de rádio quanto uma emissão mais persistente em frequências entre 0,85 e 3,5 GHz.

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Além disso, os sinais apresentaram polarização circular, uma característica que ajudou a equipe a investigar sua origem. Para determinar a posição da fonte, os astrônomos utilizaram quasares como referências e conseguiram separar a contribuição do planeta daquela produzida pela estrela do sistema.

A análise aponta para um mecanismo conhecido como instabilidade máser de ciclotron eletrônico, ou ECMI. O processo está associado à produção de emissões de rádio relacionadas a auroras e campos magnéticos planetários, fenômenos que também aparecem em corpos do Sistema Solar.

Com a localização da emissão, os pesquisadores ainda conseguiram estimar a intensidade do campo magnético de Beta Pictoris b. De acordo com o estudo citado na reportagem, o campo seria milhares de vezes mais intenso que o da Terra, resultado compatível com modelos teóricos de gigantes gasosos jovens e muito massivos.

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Um planeta gigante que gira rapidamente

Beta Pictoris b possui aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter e apresenta uma rotação extremamente rápida. Os cálculos associados às observações indicam que o planeta completa uma volta em torno de si mesmo a cada oito ou nove horas.

Essa velocidade pode ajudar a explicar a intensidade da atividade auroral observada. Segundo os pesquisadores, a combinação entre a grande massa do planeta e sua rápida rotação favorece a manutenção de emissões intensas de rádio.

O resultado também pode servir como ponto de partida para novas observações. A equipe identificou sete outros gigantes gasosos semelhantes em cinco sistemas próximos que podem ser investigados com a mesma técnica.

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Com radiotelescópios futuros entre cinco e sete vezes mais sensíveis, os astrônomos esperam ampliar a capacidade de detectar sinais semelhantes em outros mundos distantes. Assim, a radioastronomia pode se transformar em uma ferramenta complementar às observações feitas em luz visível e infravermelha.

Uma nova maneira de estudar mundos distantes

A emissão de rádio oferece uma pista que vai além da simples localização de um planeta. Ao estudar esses sinais, os pesquisadores podem investigar magnetosferas, atividade auroral e processos internos que ajudam a explicar como gigantes gasosos evoluem.

Beta Pictoris b, portanto, passa a funcionar como uma espécie de laboratório natural a dezenas de anos-luz da Terra. A técnica utilizada no estudo permite observar uma característica que não seria facilmente identificada apenas por meio da luz refletida ou emitida pelo planeta.

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O avanço também amplia as possibilidades da astronomia de exoplanetas. Ao combinar observações em diferentes faixas do espectro eletromagnético, os pesquisadores podem obter informações complementares sobre mundos que permanecem inacessíveis às sondas espaciais.