Barroso: ‘Não vejo razões para mexer na composição do Supremo’

Frase foi contextualizada na entrevista convocada pelo presidente do STF, depois de votação relâmpago no Senado que interfere decisões do Judiciário

Para Barroso, o Congresso tem legitimidade para discussão, e ele para discordar

Para Barroso, o Congresso tem legitimidade para discussão, e ele para discordar | Carlos Moura/SCO/STF

Nem a opinião pública, a imprensa e alguns parlamentares entenderam por que o senador Davi Alcolumbre (União-BA) pautou o tema na Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ). Foi a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita decisões monocráticas e pedidos de vista nos tribunais superiores. 

Continua após a publicidade

Faça parte do grupo da Gazeta no WhatsApp e no Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Sem olhar para os pares, Alcolumbre votou a PEC em 42 segundos. Nos bastidores, a questão está sendo vista como um embate entre Legislativo e Judiciário. Poder pelo poder, mas com quem se conversa do Exceutivo , o governo não vai contar essa briga “Não é uma pauta prioritária”, declarou à imprensa o  ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

“Vejo com simpatia a disposição em discutir o tema, mas não acredito nos benefícios das mudanças”, falou Barroso. Atualmente a Corte possui 11 ministros, que podem ingressar a Casa com a idade mínima de 35 anos, sendo escolha personalíssima do presidente da República e aprovados em sabatina no Senado Federal. Só há previsão de aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Continua após a publicidade

Entendendo os bastidores

Quando se fala em poder pelo poder, é que já se está falando nas eleições de 2024, sejam as municipais, sejam as para presidentes das Casas. Sem poder disputar uma recondução à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) já tem um sucessor para chamar de seu: Davi Alcolumbre.

E para ser presidente da Casa, Alcolumbre não pode se abraçar apenas às pautas do governo. Oposição precisa ser ouvida. E é essa oposição que quer bater de frente com o Judiciário. 

Continua após a publicidade

Segundo está oposição, por causa da pauta de costumes que o STF andou ressuscitando antes da saída da ministra Rosa Weber. Sem contar as duras penas que estão sendo infringidas aos acusados dos atos golpistas de 8 de janeiro.

E como Pacheco está sem perspectivas para o seu estado, seja para o Senado, seja para o governo do estado de Minas Gerais, a ele resta o Tribunal de Contas da União (TCU), e para isso o apoio do presidente do Senado de então é imprescindível.

O deputado Arthur Lira (PP-AL) se manifestou. Concordou com Barroso sobre o momento não ser favorável à pauta. Mas não está dando mole para o Executivo, que ainda não entregou todos os pedidos do Centrão. Viajou com o projeto das offshore debaixo do braço. Agora só dia 24/10.