Brasil registra 28 milhões de golpes com PIX e risco aumenta no Carnaval, alerta advogado

Combinação de aglomerações, consumo de álcool, pressa e pagamentos improvisados reduz a atenção dos foliões

Entre os golpes mais comuns estão as fraudes com cartões bancários em compras realizadas na rua

Entre os golpes mais comuns estão as fraudes com cartões bancários em compras realizadas na rua | Emil Kalibradov/ Unsplash

Com a chegada do carnaval e o aumento expressivo da circulação de pessoas em blocos de rua, desfiles e festas privadas, os golpes financeiros e furtos de celulares voltam a preocupar autoridades e especialistas em todo o País.

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Um levantamento da Associação de Defesa dos Direitos do Público (ADDP) mostra a dimensão do problema: entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil registrou cerca de 28 milhões de fraudes envolvendo o PIX e 2,7 milhões de compras online fraudulentas.

Segundo o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em direito digital e presidente da ADDP, o período carnavalesco reúne condições ideais para a atuação de criminosos.

A combinação de aglomerações, consumo de álcool, pressa e pagamentos improvisados reduz a atenção dos foliões e aumenta a vulnerabilidade a golpes. “Muitas vítimas só percebem o prejuízo horas ou dias depois”, afirma.

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Pagamentos na rua e cartões exigem atenção redobrada

Entre os golpes mais comuns estão as fraudes com cartões bancários em compras realizadas na rua. De acordo com Gomes Junior, é frequente que o consumidor não confira o valor digitado na maquininha ou entregue o cartão a terceiros.

“Há casos de cobrança acima do valor real ou até de troca de cartão. Conferir o valor e exigir o comprovante são cuidados básicos”, orienta.

Os pagamentos por aproximação também entram na lista de riscos. Criminosos podem se aproveitar da tecnologia para realizar débitos em meio à multidão. A recomendação é reduzir limites diários, levar apenas o essencial e redobrar a atenção com bolsas e bolsos. No caso do PIX, a checagem de dados e valores antes da confirmação é indispensável.

Golpes virtuais crescem com falsas ofertas de carnaval

No ambiente digital, os golpes se intensificam com a criação de sites e perfis falsos que exploram a demanda por produtos e experiências típicas da festa. O chamado “golpe do abadá” é um dos mais recorrentes: páginas que imitam canais oficiais oferecem ingressos, abadás ou camarotes com grandes descontos, atraindo consumidores apressados.

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Outro alerta envolve perfis falsos criados com o uso de inteligência artificial, cada vez mais realistas nas redes sociais e em aplicativos de relacionamento.

“São ofertas relâmpago e histórias bem construídas, que induzem transferências para serviços inexistentes”, explica o advogado.

Para a ADDP, curtir o carnaval com segurança passa por atitudes simples e preventivas. A orientação é evitar ostentação de celulares, desconfiar de promoções milagrosas e usar, sempre que possível, um aparelho secundário, com poucos aplicativos e limite reduzido de movimentação financeira.

“Os golpes são recorrentes, mas muitos podem ser evitados com atenção. É possível aproveitar a festa sem abrir mão da segurança”, conclui Gomes Junior.