Com a chegada do carnaval e o aumento expressivo da circulação de pessoas em blocos de rua, desfiles e festas privadas, os golpes financeiros e furtos de celulares voltam a preocupar autoridades e especialistas em todo o País.
Um levantamento da Associação de Defesa dos Direitos do Público (ADDP) mostra a dimensão do problema: entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil registrou cerca de 28 milhões de fraudes envolvendo o PIX e 2,7 milhões de compras online fraudulentas.
Segundo o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em direito digital e presidente da ADDP, o período carnavalesco reúne condições ideais para a atuação de criminosos.
A combinação de aglomerações, consumo de álcool, pressa e pagamentos improvisados reduz a atenção dos foliões e aumenta a vulnerabilidade a golpes. “Muitas vítimas só percebem o prejuízo horas ou dias depois”, afirma.
Pagamentos na rua e cartões exigem atenção redobrada
Entre os golpes mais comuns estão as fraudes com cartões bancários em compras realizadas na rua. De acordo com Gomes Junior, é frequente que o consumidor não confira o valor digitado na maquininha ou entregue o cartão a terceiros.
“Há casos de cobrança acima do valor real ou até de troca de cartão. Conferir o valor e exigir o comprovante são cuidados básicos”, orienta.
Os pagamentos por aproximação também entram na lista de riscos. Criminosos podem se aproveitar da tecnologia para realizar débitos em meio à multidão. A recomendação é reduzir limites diários, levar apenas o essencial e redobrar a atenção com bolsas e bolsos. No caso do PIX, a checagem de dados e valores antes da confirmação é indispensável.
Golpes virtuais crescem com falsas ofertas de carnaval
No ambiente digital, os golpes se intensificam com a criação de sites e perfis falsos que exploram a demanda por produtos e experiências típicas da festa. O chamado “golpe do abadá” é um dos mais recorrentes: páginas que imitam canais oficiais oferecem ingressos, abadás ou camarotes com grandes descontos, atraindo consumidores apressados.
Outro alerta envolve perfis falsos criados com o uso de inteligência artificial, cada vez mais realistas nas redes sociais e em aplicativos de relacionamento.
“São ofertas relâmpago e histórias bem construídas, que induzem transferências para serviços inexistentes”, explica o advogado.
Para a ADDP, curtir o carnaval com segurança passa por atitudes simples e preventivas. A orientação é evitar ostentação de celulares, desconfiar de promoções milagrosas e usar, sempre que possível, um aparelho secundário, com poucos aplicativos e limite reduzido de movimentação financeira.
“Os golpes são recorrentes, mas muitos podem ser evitados com atenção. É possível aproveitar a festa sem abrir mão da segurança”, conclui Gomes Junior.
