Com o uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base de GLP-1, muitas pessoas passam a comer menos e precisam redobrar a atenção à qualidade das refeições.
Nesse cenário, a tilápia pode ser uma aliada por reunir alto teor de proteína, versatilidade e digestibilidade.
“A tilápia tem carne leve, macia e de fácil digestão, o que facilita o processamento do alimento pelo organismo e o aproveitamento dos nutrientes”, explica Juliano Kubitza, especialista em aquicultura e diretor da Fider Pescados.
A redução do apetite torna a composição das refeições ainda mais importante. Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que em 33% dos domicílios brasileiros pelo menos um morador usa ou usou canetas emagrecedoras.
Como o tratamento leva ao consumo de porções menores, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) recomenda atenção especial à ingestão de proteínas para ajudar na preservação da massa muscular, priorizando alimentos proteicos no início da refeição e evitando preparações muito gordurosas.
Por isso, alimentos frescos com alto índice de proteínas, como a tilápia, ganham ainda mais espaço no prato dos brasileiros.
Uma porção de 200 gramas de filé de tilápia fornece cerca de 36,2 gramas de proteína de alto valor biológico e baixo teor de gorduras, com menos de 5 gramas por filé. Além de nutritiva, ela pode ser preparada de diferentes formas, como grelhada ou assada, acompanhada de legumes, verduras e outras fontes de carboidratos.
“Quando falamos em alimentação durante o processo de emagrecimento, não estamos olhando apenas para a proteína. A tilápia também fornece diversos nutrientes importantes, como vitamina B12, vitamina D e fósforo, que tornam a refeição mais completa. Isso é especialmente desejável quando a quantidade de comida consumida ao longo do dia diminui”, destaca Juliano Kubitza.
A busca por uma alimentação de melhor qualidade também aparece no comportamento dos consumidores. Segundo a Abradilan, a compra de alimentos frescos cresceu 11,5% entre usuários de canetas emagrecedoras que relataram perda de massa magra.
Entre essas opções, a tilápia se destaca pela ampla disponibilidade no mercado brasileiro. O peixe representa mais de dois terços da piscicultura nacional e seu consumo praticamente dobrou na última década, chegando a 3 quilos por pessoa no ano. O número ainda está distante da recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), que orienta o consumo de 250 g por semana (1 kg por mês ou 12 kg por ano).
“Com refeições menores, a lógica é simples: cada escolha precisa contribuir para a boa nutrição. Uma porção de tilápia com vegetais e uma quantidade adequada de carboidratos compõem uma refeição pequena, mas completa. E o cuidado com a ingestão de proteínas continua importante não apenas durante o uso das canetas, mas também antes e depois do tratamento”, complementa Kubitza.






