Canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade entram em uma nova etapa de avaliação no SUS neste mês de setembro de 2026. O Ministério da Saúde informou que pretende oferecer os medicamentos na rede pública após definir critérios de uso, acompanhamento e segurança para pessoas que precisam desse tratamento.
Como será a oferta das canetas emagrecedoras no SUS
O Ministério da Saúde conduz um estudo para definir como os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 poderão ser usados na rede pública. A semaglutida é o princípio ativo avaliado nessa etapa.
O trabalho ocorre no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. O protocolo acompanha pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças.
A previsão é acompanhar cerca de 250 pacientes atendidos pelo SUS. O grupo inclui pessoas que têm indicação para cirurgia bariátrica.
Medicamento terá acompanhamento médico
O estudo recebeu o nome de Real-Bari. A proposta é acompanhar os pacientes com uma equipe especializada e reunir informações sobre o tratamento.
Os resultados devem ajudar o Ministério da Saúde a definir as regras para uma eventual oferta mais ampla. A pasta informou que os primeiros resultados estão previstos para 2027.
Por isso, a distribuição não significa que qualquer pessoa com obesidade poderá retirar a medicação imediatamente em uma unidade de saúde. O acesso dependerá das regras que forem estabelecidas para o tratamento.
O que o estudo pretende avaliar
Uma das análises envolve pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica. O Ministério quer verificar se o tratamento consegue controlar a obesidade em determinados casos e alterar a necessidade desse procedimento.
O estudo também acompanha possíveis efeitos relacionados a outras condições de saúde. Entre os pontos citados pela pasta estão problemas cardíacos e o risco de retorno do câncer de mama.
A avaliação também considera aspectos clínicos, operacionais e econômicos. Esses dados podem orientar a forma de aplicação do tratamento no sistema público.
Canetas emagrecedoras ainda não estão disponíveis para todos
Apesar do anúncio, as canetas emagrecedoras ainda não fazem parte de uma oferta geral do SUS. Em julho de 2026, o próprio Ministério da Saúde informou que a semaglutida continuava em análise para possível incorporação ao sistema.
A situação também envolve decisões anteriores da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Em 2025, a comissão recomendou não incorporar a semaglutida para uma indicação específica envolvendo pessoas com obesidade graus II e III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular estabelecida.
A decisão consta na Portaria SECTICS/MS nº 65/2025.
Produção nacional também faz parte da estratégia
O governo também trabalha para ampliar a oferta de medicamentos com semaglutida no país. Em julho, a Anvisa registrou cinco novos medicamentos com esse princípio ativo.
A ampliação da concorrência pode aumentar a disponibilidade dos produtos e reduzir custos. Segundo o Ministério da Saúde, já existem 14 produtos registrados para tratamento da obesidade.
O Ministério da Saúde mantém, portanto, duas frentes: avaliar o uso das canetas em pacientes do SUS e ampliar a disponibilidade desses medicamentos no mercado. A definição dos critérios para acesso na rede pública depende dos resultados dos estudos e do protocolo clínico.
