Acordo estratégico assinado com Donald Trump não cederá soberania, afirmam Dinamarca e Groenlândia

Governos europeus e território autônomo ressaltam que pacto de segurança com os Estados Unidos preserva a integridade territorial e o direito à autodeterminação, enquanto o presidente americano, Donald Trump, exalta controle perpétuo de segurança e ampliação militar no Ártico

Além das alterações de tamanho, foi possível observar um movimento no sentido oposto, pois a Groenlândia se desloca anualmente para noroeste - (Mikhail Nilov/Pexels)

Groenlândia, Dinamarca e EUA fecharam acordo que será assinado na Assembleia da ONU / Mikhail Nilov/Pexels

Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia declararam neste sábado (19/9) que o recente acordo de segurança celebrado com os Estados Unidos não compromete e nem cede a soberania do território ártico. A manifestação ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar o pacto como um arranjo de “vida infinita” (Infinite Life Agreement) que concederia a Washington controle permanente sobre a segurança da ilha.

Continua após a publicidade

O entendimento tripartite, negociado para ser assinado na próxima semana durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em Nova York, surge após meses de intensa pressão geopolítica e reivindicações de controle do território por parte da administração dos EUA.

Divergências de narrativa e o alcance do acordo

Enquanto Donald Trump destacou em redes sociais que o pacto garante ao país controle total e permanente sobre as necessidades de segurança na Groenlândia, bloqueando bases de adversários e investimentos sensíveis sem aprovação prévia, os líderes locais adotaram uma postura de firme preservação institucional.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, enfatizou por meio de seu gabinete que o documento “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo gronelandês à autodeterminação”. Segundo Frederiksen, o acerto fortalece a segurança coletiva na região do Ártico e do Atlântico Norte de maneira benéfica para a OTAN e para a Europa.

Continua após a publicidade

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, corroborou a visão, apontando que o pacto salvaguarda os interesses do território autônomo e sua participação na cooperação internacional, afastando de vez qualquer tentativa unilateral de anexação por força.

Impacto militar e próximos passos

Detalhes parciais divulgados por fontes diplomáticas indicam que o acordo concede aos Estados Unidos direitos permanentes de acesso, instalação de bases e sobrevoo, além de restringir investimentos de potências rivais em setores estratégicos da economia gronelandesa.

As disposições também preveem a permanência dessas prerrogativas mesmo no cenário de uma eventual independência da Groenlândia.

Continua após a publicidade

Apesar do otimismo demonstrado por Washington, com o secretário de Estado Marco Rubio classificando o pacto como um marco histórico para a defesa da América do Norte, o texto integral da proposta ainda carece de publicação oficial e precisará passar por rigorosos trâmites de ratificação parlamentar tanto em Copenhague quanto em Nuuk antes de entrar plenamente em vigor.