Congresso libera doações do governo Bolsonaro em ano eleitoral

Congresso conseguiu flexibilizar a legislação, permitindo doações do governo federal dentro do período eleitoral

Bolsonaro, que voltou ao Brasil na semana passada após 89 dias de exílio voluntário na Flórida, diz que não há motivos para ser tornado ilegível

Bolsonaro | Reprodução/Facebook/Jair Bolsonaro

O Congresso Nacional aprovou nas últimas semanas propostas que turbinam o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) no ano eleitoral, ao mesmo tempo que flexibilizou algumas amarras impostas pela legislação eleitoral.

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Contando com o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e colocando a oposição contra a parede, Bolsonaro conseguiu ver o Congresso Nacional atuar para conter a alta dos preços dos combustíveis –que vinha desgastando o governo– e ainda poderá colher os dividendos de um pacote de bondades de R$ 41,25 bilhões.

Deputados e senadores também conseguiram flexibilizar a legislação eleitoral, permitindo doações do governo federal de bens, valores ou benefícios para entidades privadas ou públicas dentro do período restrito pela legislação eleitoral.

O mesmo Congresso também havia flexibilizado as restrições financeiras e de tempo relacionadas com publicidade institucional dos governos. Essa iniciativa, no entanto, acabou barrada pelo Supremo Tribunal Federal.

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Em uma sessão tumultuada do Congresso na terça-feira (12), deputados e senadores conseguiram aproveitar que o foco estava na polêmica em torno da impositividade das emendas de relator e aprovaram alguns dispositivos que combatem a transparência e liberam o governo de amarras eleitorais.

Em uma proposta que tratava de recursos para a área de ciência e tecnologia, foi incluído um dispositivo que flexibiliza a legislação eleitoral e permite ao governo Bolsonaro realizar as doações, como informou O Estado de S. Paulo.

A legislação eleitoral veda atualmente uma série de práticas para agentes públicos que podem afetar “a igualdade de oportunidade entre candidatos no plano eleitoral”.

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Estão entre elas a proibição a cessão de imóveis, contratar novos servidores, realizar pronunciamentos em rádio e televisão e também distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios.

O dispositivo incluído justamente excetua esse artigo da lei eleitoral e permite a “doação de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública a entidades privadas e públicas, durante todo o ano, e desde que com encargo para o donatário”.

Ou seja, o dispositivo permite ao governo federal repassar ao longo do ano para aliados políticos nos estados e municípios equipamentos, veículos e outros bens. Em relação ao encargo para o donatário, um consultor legislativo explica que seria como, ao receber do governo federal um trator ou um caminhão, um município seria o responsável por providenciar o combustível e a manutenção.

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Em abril, o mesmo Congresso Nacional já havia aprovado essa liberação para doações, mas para um período de até três meses antes das eleições. O novo dispositivo libera essa prática para o ano inteiro.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) protestou contra a inclusão desse dispositivo, que libera as doações.
“Sem nada ter a ver com orçamento, nem com FNDCT (Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia), com ciência, coisa nenhuma, um jabuti do tamanho de um bonde para autorizar doações do patrimônio público em período eleitoral, o que é proibido por lei. A lei proíbe, e aqui estamos autorizando”, afirmou.

O relator da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União Brasil – TO) defendeu a inclusão do dispositivo no projeto de lei, argumentando que se tratam de equipamentos que estão se “depreciando” e que agora chegarão “na ponta para quem precisa”.

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O presidente da comissão do orçamento, deputado Celso Sabino (União Brasil – PA) afirma que a medida não desrespeita a legislação eleitoral porque não se trata de doações direta para os eleitores.

“Esse texto não traz aqui a possibilidade de doação a eleitor durante o período vedado, de forma alguma. E, como bem disse o Deputado Gaguim, abre a possibilidade de associações, por exemplo, de pescadores, de produtores rurais receberem tanques suspensos, receberem rede de pesca. Enfim, esse é o objetivo desse projeto”, afirmou.

Durante a mesma sessão, os parlamentares aprovaram também um item dentro de projeto que tratava de receitas e despesas que diminui a transparência no pagamento de emendas.

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O trecho prevê que as emendas devem ter seus autores identificados, exceto quando houver um remanejamento das emendas de comissões e das emendas de relator. Ou seja, quando uma emenda de relator, por exemplo, for remanejada e transformada em uma emenda discricionário do Executivo, não haverá necessidade de identificar o novo responsável por indicar a emenda.

Em maio, o Congresso já havia também concluído a votação de um projeto de lei que retirava as amarras para a publicidade institucional em ano eleitoral. Esse tipo de publicidade é composta por inserções e publicações em veículos de mídia que divulgam atos, obras e programas dos governos.

A primeira flexibilização aumentou o limite de recursos que podem ser empenhados com publicidade institucional no primeiro semestre dos anos em que há eleições.

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A legislação atual proíbe a veiculação de publicidade institucional no segundo semestre, quando ocorrem as eleições no território nacional.

O outro ponto principal do projeto, no entanto, flexibiliza a regra para determinar que a proibição não se aplica para a publicidade que esteja relacionada com o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.
PT e PDT ingressaram no STF com ação buscando barrar os efeitos desse projeto de lei, o que aconteceu em decisão na semana passada.

A retirada das amarras se soma às articulações que possibilitaram a transformação de uma proposta destinada inicialmente a amenizar o impacto dos preços dos combustíveis e que depois se tornou um pacote de bondades.

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O próprio governo Bolsonaro chegou a anunciar que destinaria cerca de R$ 30 bilhões para compensar estados que optassem por zerar as alíquotas dos tributos estaduais sobre os combustíveis.

Com a articulação do governo e de líderes do Senado, esses recursos foram direcionados e depois aumentados para se tornar no pacote de benefícios bilionários.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) bilionária teve seu texto-base aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (13). Ela prevê o aumento de R$ 400 para R$ 600 no valor do programa Auxílio Brasil, busca zerar a fila para o benefício, cria um auxílio para caminhoneiros e taxistas e dobra o valor do vale-gás.

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O problema dos preços dos combustíveis, por sua vez, foi amenizado com a aprovação do projeto de lei que limitou em 17% a alíquota do ICMS sobre os combustíveis, em uma vitória do governo contra os governadores estaduais.

A proposta transforma esse bem e também energia, telecomunicações e transportes em bens essenciais e por isso permite a aplicação do teto tributário.

Nesta quarta-feira (13), em conversa com apoiadores no Palácio do Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro ironizou que a imprensa o culpava pela alta dos preços dos combustíveis mas não o culpava pela queda recente registrada nas bombas.