O Jardim Arpoador, na Zona Oeste de São Paulo, enfrenta há décadas um problema ambiental sério que afeta diretamente a rotina de seus moradores.
O tema voltou a ganhar destaque após ser discutido em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), onde foram apresentadas denúncias sobre a contaminação do solo e do lençol freático, uma situação que já se arrasta por cerca de 50 anos.
A origem desse cenário remonta à década de 1970, quando a multinacional Akzo Nobel iniciou suas atividades industriais na região.
Desde então, moradores afirmam conviver com os impactos deixados por resíduos químicos da antiga fábrica, que comprometeram o meio ambiente e levantam preocupações constantes sobre a saúde da população local.
Histórico de contaminação industrial
De acordo com levantamentos da Cetesb, a contaminação do solo e das águas subterrâneas está ligada diretamente às operações da empresa iniciadas em 1974.
Entre os poluentes identificados estão substâncias tóxicas como mercúrio, chumbo, cádmio e solventes químicos, que atingiram ao menos 40 imóveis no entorno da área industrial.
Apesar de a própria empresa ter identificado o problema ainda em 1994, a comunicação oficial ao órgão ambiental só ocorreu em 2001. Esse intervalo acabou atrasando ações mais rápidas para conter os danos.
Desde então, o caso vem sendo acompanhado com relatórios técnicos e exigências voltadas à recuperação ambiental da área.
Impactos diretos na saúde pública
Quem vive no Jardim Arpoador relata um histórico de dificuldades e preocupação com a própria saúde. Há relatos de doenças graves, incluindo casos de câncer, que moradores associam à exposição prolongada aos contaminantes.
A moradora Marlei da Silva Galvão, residente há mais de 50 anos no bairro, descreve um cotidiano marcado pelo cheiro forte de produtos químicos, irritação nos olhos e insegurança no uso da água.
Especialistas apontam que os riscos estão ligados principalmente ao contato com a água contaminada e à inalação de vapores tóxicos liberados pelo solo.
As áreas mais críticas são aquelas construídas sobre a chamada pluma de contaminação, onde o perigo é maior e, em alguns casos, a retirada de famílias passa a ser considerada uma medida necessária.
Debates e cobrança por soluções
Durante a audiência pública na Alesp, o deputado Maurici chamou atenção para a gravidade do problema e criticou a demora na busca por uma solução definitiva.
O encontro reuniu moradores, autoridades e representantes da empresa, funcionando como um espaço de cobrança por respostas mais concretas.
A comunidade pede mais agilidade na resolução do caso, já que a situação continua gerando insegurança sobre o futuro do bairro. A principal expectativa é por uma solução que elimine os riscos e garanta mais tranquilidade para quem vive na região.
Posicionamento da empresa responsável
Representantes da empresa afirmaram, durante a audiência, que medidas de recuperação ambiental vêm sendo adotadas desde a identificação do problema. Segundo a companhia, os níveis de contaminação foram reduzidos a patamares considerados seguros a partir de 2020.
A empresa também sustenta que não há, atualmente, impactos ambientais relevantes no entorno, incluindo áreas como o córrego Itararé. Mesmo assim, muitos moradores ainda desconfiam dessa avaliação, o que mantém o impasse entre a versão apresentada pela empresa e a realidade percebida pela comunidade.
