Datena critica chapa Lula-Alckmin e fecha acordo para apoiar Doria e Rodrigo Garcia

O apresentador José Luiz Detena disse em entrevista que irá apoiar a chapa de tucanos, com Doria para presidente e Rodrigo Garcia como governador de São Paulo

O apresentador e jornalista José Luiz Datena

Decisão de Datena representa uma reviravolta na corrida eleitoral | /Divulgação

Em mais uma reviravolta na corrida eleitoral de 2022, o apresentador José Luiz Datena irá apoiar os tucanos João Doria para a Presidência e Rodrigo Garcia, para o Governo de São Paulo.

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“Fui convidado e aceitei participar da chapa deles, disputando um cargo majoritário”, afirmou ele, que estava de malas prontas do PSL para o PSD de Gilberto Kassab para disputar o Senado por São Paulo.

Em princípio, ele deve buscar a mesma vaga, mas outras opções não estão descartadas. Questionado se ele poderia ser vice de um dos tucanos, Datena disse: “Estou preparado. Se eles não arrumarem ninguém melhor, por que não?”.

Já o partido pelo qual ele vai concorrer é uma incógnita até aqui. “Vai depender da coligação, mas pode ser o próprio PSDB”, disse Datena. Em 2018, ele chegou a ser anunciado como pré-candidato do DEM ao Senado na chapa de Doria ao governo paulista, mas desistiu. Em seu programa na TV Bandeirantes, ele é crítico contumaz do governo paulista. “Isso mostra um desprendimento do Doria e do Garcia. Eles sabem que eu posso agregar, posso ajudar a corrigir alguma coisa. Acredito que você possa mudar o sistema por dentro”, disse. 

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A decisão é um revés para Kassab, e mais um efeito colateral do balé envolvendo o nome do ex-governador Geraldo Alckmin, que já anunciou sua saída do PSDB.

Alckmin quer disputar o governo paulista, provavelmente pelo PSD, mas aceitou o namoro proposto pelo PT e pelo PSB para discutir ser vice de Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa do ex-presidente de voltar ao Planalto.

Isso desagradou a vários aliados. “Eu acho que essa indefinição está fazendo muito mal para o Alckmin.

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Pesou 100% na minha decisão [de apoiar Doria e Garcia]”, disse o apresentador, por telefone.

Para ele, Lula “não se desgastou nada com essa ideia, ao contrário do Alckmin”. O ex-governador viu sua pretensão de tentar voltar ao Palácio dos Bandeirantes barrada pelo atual ocupante do cargo, Doria, que cumpriu o acordo eleitoral de 2018 de lançar o seu vice Garcia à sua sucessão.

O caminho foi acidentado. Garcia era do DEM, partido que Doria queria ver a seu lado em 2022, mas a desagregação da sigla depois que o grupo de Rodrigo Maia (RJ) perdeu o controle da Câmara para o centrão em janeiro o levou a se filiar ao PSDB.

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Com isso, ele virou o candidato natural no tucanato, apesar da pressão de aliados de Alckmin. Garcia já teve o nome homologado, após se inscrever sozinho para as prévias do partido no estado.

Com o caminho obstruído, restava a Alckmin ver Doria derrotado na disputa interna com o governador Eduardo Leite (RS) pela indicação à vaga de presidenciável tucano. O paulista venceu as prévias no sábado (27), por 54% a 45%.

No meio tempo, o ex-governador aceitou a corte feita pelo PT e pelo PSB, que lançaram o balão de ensaio de que ele seria um vice ideal na chapa com seu adversário histórico Lula.

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Isso alienou parte de sua base política em São Paulo, francamente antipetista, que esperava um “não” peremptório de Alckmin. Kassab esperava ver o ex-governador filiado a seu partido numa chapa com Datena para o Senado.

Aliados de Kassab lançaram a ideia de que Datena poderia ser o candidato a governador também, mas ele não topou.

O apresentador sempre foi próximo de Doria. Agora, dá um empurrão enorme na candidatura de Garcia, que é pouco conhecido. Popular, ajuda também o governador em sua busca de ser o nome da chamada terceira via para desalojar Jair Bolsonaro do segundo turno presumido contra Lula em 2022.

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Até aqui, o principal rival de Doria nessa tentativa é o ex-juiz Sergio Moro, que filiou-se ao Podemos e tem se movimentado como candidato.

No caso paulista, resta saber se Garcia vai enfrentar ou não Alckmin. PT e PSB querem ver a pista livre para seus eventuais candidatos no estado –hoje, o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Márcio França, respectivamente.

A esta altura, as pesquisas colocam Haddad como líder na contenda pelo Bandeirantes, mas historicamente o eleitorado paulista tende ao conservadorismo local –mesmo no auge da popularidade de Lula na Presidência, o partido nunca chegou ao governo estadual.

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Assim, observadores da política paulista apostam que o nome da centro-direita que chegar ao segundo turno tem mais chances de vencer.

Se Datena não disputar o Senado, a briga pela vaga ficará bastante difusa no campo da centro-direita.

O senador José Serra (PSDB) já disse que quer concorrer à reeleição, mas seu estado de saúde inspira cuidados e Doria já sugeriu que ele poderia ter uma eleição mais tranquila à Câmara dos Deputados.

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Serra está licenciado. Seu suplente, José Aníbal (PSDB), apoiou Leite contra Doria e não terá apoio da ala majoritária do partido em sua busca pela legenda. O presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo, já disse que quer entrar na disputa.