De urânio a dardos que perfuravam crânios: 7 brinquedos dos anos 1950 aos 2000 ligados a ferimentos e mortes

Dardos mataram três crianças, bonecas feriram 150 pessoas e esferas levaram vítimas ao coma; relembre casos que mudaram a segurança infantil

Brinquedos que hoje parecem impensáveis chegaram às prateleiras ao longo de diferentes décadas, antes de recalls e novas regras de segurança (Imagem gerada por IA/ChatGPT)

Brinquedos que hoje parecem impensáveis chegaram às prateleiras ao longo de diferentes décadas, antes de recalls e novas regras de segurança (Imagem gerada por IA)

Entre os anos 1950 e 2000, fabricantes colocaram nas prateleiras de lojas, produtos que hoje dificilmente superariam uma avaliação de segurança. A lista inclui um laboratório infantil com urânio real, um kit com amianto e dardos metálicos capazes de perfurar um crânio.

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Alguns desses brinquedos perigosos provocou mortes, intoxicações e ferimentos graves. Os acidentes obrigaram empresas a recolher milhões de unidades, oferecer reembolsos e responder pela demora em comunicar falhas às autoridades.

Os sete produtos, contudo, não tiveram o mesmo desfecho. Enquanto órgãos reguladores proibiram alguns deles, outros deixaram as lojas por decisão dos fabricantes. Há ainda um caso que ganhou fama assustadora, embora não tenha causado vítimas conhecidas.

Dardos mataram pelo menos três crianças

Vendidos desde o fim dos anos 1950, os lawn darts transformavam um dardo metálico de grande porte em jogo de jardim. Os participantes lançavam as peças para o alto e tentavam acertar círculos posicionados sobre a grama.

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Uma alteração na trajetória, porém, fazia o objeto cair sobre pessoas que estavam próximas. Três crianças morreram e mais de 6 mil pessoas receberam atendimento médico após acidentes relacionados ao produto.

Diante da gravidade dos registros, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos proibiu a comercialização dos dardos em dezembro de 1988. Mais tarde, o órgão recomendou que consumidores destruíssem os exemplares antigos, em vez de revendê-los ou doá-los.

Esferas coloridas levaram crianças ao coma

Lançado nos anos 2000, o Aqua Dots permitia criar figuras com pequenas esferas que se uniam depois de receber água. Apesar da aparência inofensiva, o revestimento das peças escondia um risco químico grave.

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Quando uma criança engolia as bolinhas, o organismo transformava um dos componentes em GHB, substância que atua sobre o sistema nervoso central. Vítimas perderam a consciência, sofreram convulsões e chegaram ao coma.

Por isso, a fabricante recolheu aproximadamente 4,2 milhões de unidades em novembro de 2007. Anos depois, a empresa aceitou pagar US$ 1,3 milhão para encerrar acusações relacionadas à demora em comunicar o perigo.

Bonecas voadoras deixaram 150 feridos

As Sky Dancers chegaram às lojas em 1994 com uma proposta: uma base com corda lançava as bonecas para que elas girassem como hélices. O brinquedo, no entanto, ganhava velocidade e seguia trajetórias imprevisíveis.

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A fabricante Galoob recebeu 170 relatos de colisões e contabilizou 150 pessoas feridas. As ocorrências incluíram lesões nos olhos, cegueira temporária, dentes quebrados, cortes no rosto, concussão e fratura de costela.

Em 2000, a companhia recolheu cerca de 8,9 milhões de unidades. Além disso, pagou uma penalidade de US$ 400 mil no ano seguinte por não informar o problema com a rapidez exigida.

Boneca que “comia” cabelos e dedos

Apresentada em 1996, a Cabbage Patch Kids Snacktime Kids possuía uma mandíbula motorizada que puxava alimentos de plástico para dentro da boca. O mecanismo não contava com um botão que permitisse desligá-lo imediatamente.

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Assim, cabelos e dedos também podiam ficar presos. A Mattel e as autoridades receberam 35 relatos de incidentes, embora não tenham confirmado ferimentos graves.

Em janeiro de 1997, a empresa retirou o produto das lojas e ofereceu reembolso aos consumidores. Cerca de 500 mil unidades já haviam chegado ao público.

Kit de investigação tinha amianto no pó

Inspirado na série CSI, o Fingerprint Examination Kit ensinava crianças a coletar impressões digitais com pincéis e um pó semelhante ao utilizado em investigações forenses. Testes laboratoriais, entretanto, detectaram tremolita, um tipo de amianto, no material.

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A descoberta levou a uma ação coletiva contra empresas envolvidas na fabricação, no licenciamento e na venda do produto. Posteriormente, um acordo abriu a possibilidade de reembolso aos compradores.

Em 2007, a Planet Toys pediu que as lojas interrompessem as vendas enquanto investigava a contaminação. O episódio ocorreu como uma suspensão comercial, não como um recall federal conduzido pelas autoridades norte-americanas.

Pequenos ímãs podiam perfurar o intestino

Os Buckyballs chegaram ao mercado norte-americano em 2009 como objetos de mesa voltados principalmente a adultos. Cada conjunto reunia centenas de pequenas esferas magnéticas capazes de formar desenhos e estruturas.

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Crianças e adolescentes, contudo, engoliram algumas dessas peças. Quando dois ou mais ímãs entravam no organismo, eles podiam se atrair através das paredes intestinais e provocar perfurações, bloqueios, infecções e sepse.

Após receber relatos de ingestões e cirurgias, a comissão norte-americana iniciou medidas contra o produto. O processo resultou em recolhimentos entre 2010 e 2014, além de um programa de reembolso aos compradores.

Laboratório infantil trazia urânio verdadeiro

A Gilbert lançou o U-238 Atomic Energy Laboratory em 1950. O sofisticado conjunto trazia contador Geiger, câmara de nuvens, eletroscópio e quatro amostras de minérios contendo urânio.

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Apesar da fama de “brinquedo mais perigoso do mundo”, o laboratório não deixou registros conhecidos de mortes. Avaliações posteriores indicaram que a exposição permanecia pequena quando as crianças mantinham as amostras fechadas e seguiam as instruções.

O preço elevado e a baixa procura, portanto, explicam melhor sua curta passagem pelo mercado do que um suposto banimento. Ainda assim, o kit se tornou símbolo de uma época fascinada pela energia nuclear e menos rigorosa na avaliação dos riscos infantis.

Acidentes mudaram as regras de segurança

Ao longo das décadas, episódios como esses ampliaram os testes exigidos antes da comercialização. Atualmente, fabricantes precisam avaliar toxicidade, peças pequenas, pontas cortantes, mecanismos de pressão, força magnética e materiais inflamáveis.

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No Brasil, a certificação de brinquedos tornou-se obrigatória. Produtos regulares devem apresentar o selo de conformidade do Inmetro, além de informar faixa etária, instruções de uso e identificação do fabricante ou importador.

Somente os dardos aparecem diretamente relacionados a mortes comprovadas entre os sete casos. Ainda assim, todos revelam como uma falha aparentemente pequena pode transformar uma simples diversão em risco grave, sobretudo quando empresas e autoridades demoram a reconhecê-la.