Estudo com cloroquina mostra aumento de complicações cardíacas

Pacientes brasileiros submetidos ao tratamento com altas doses desenvolveram arritmia; estudo foi interrompido

O uso de cloroquina e da hidroxicloroquina no combate à Covid-19 está sendo estudado

O uso de cloroquina e da hidroxicloroquina no combate à Covid-19 está sendo estudado | Marcelo Casal/Agencia Brasil

Um estudo realizado por um grupo de brasileiros com cloroquina para o novo coronavírus foi interrompido, por questões de segurança, após pacientes submetidos ao tratamento desenvolverem complicações cardíacas, que aumenta o risco de mortes. As informações são do jornal americano “The New York Times”.

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A cloroquina está intimamente relacionada a outro medicamento bastante utilizado, a hidroxicloroquina e o seu uso no tratamento contra a Covid-19 é incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por Donald Trump. Ambos defendem o uso dos medicamentos, apesar das poucas evidências de que eles funcionem.

O estudo brasileiro envolveu 81 pacientes hospitalizados na cidade de Manaus e foi financiado pelo governo estadual do Amazonas. Como as diretrizes brasileiras recomendam o uso de cloroquina em pacientes com coronavírus, os pesquisadores disseram que incluir um placebo no estudo – considerada a melhor maneira de avaliar um medicamento – era uma “impossibilidade”.

De acordo com os especialistas, o estudo forneceu mais evidências de que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar danos significativos a alguns pacientes, especificamente o risco de arritmia cardíaca fatal. Os pacientes do estudo também receberam o antibiótico azitromicina, que apresenta o mesmo risco cardíaco.

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Cerca de metade dos participantes da pesquisa recebeu uma dose de 450 miligramas de cloroquina duas vezes ao dia por cinco dias, enquanto o restante recebeu uma dose maior de 600 miligramas por dez dias. Passado três dias, foi possível observar que pacientes que tomavam a dose mais alta começaram a apresentar arritmias cardíacas. No sexto dia de tratamento, 11 pacientes haviam morrido.

Como o estudo não teve pacientes suficientes em proporção recebendo a dose mais baixa do medicamento, os pesquisadores alertam que não foi possível concluir se a cloroquina era eficaz em pacientes com doença grave. Para os pesquisadores, mais estudos avaliando o medicamento no início da doença são “urgentemente necessários”.

O estudo dos brasileiros foi publicado no sábado (11), no medRxiv, um servidor online que armazena artigos da área da saúde antes deles serem revisados por outros pesquisadores.

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Com informações do Estadão Conteúdo.