Ferrovia histórica do interior de SP sai do abandono e entra em nova fase

Edital da concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão deve ser publicado no primeiro semestre de 2026

Tarcísio de Freitas assinou a autorização que permite a publicação do edital de leilão da ferrovia

Tarcísio de Freitas assinou a autorização que permite a publicação do edital de leilão da ferrovia | Divulgação

O Governo de São Paulo deu um passo importante no processo de concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) no início de 2026.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assinou a autorização que permite a publicação do edital de leilão da ferrovia, etapa que formaliza o avanço do projeto de transferência da operação para a iniciativa privada.

A informação foi divulgada pelo próprio governador nas redes sociais na noite de segunda-feira (12/1).

Na publicação, Tarcísio afirmou que a medida integra o planejamento ferroviário do Estado e tem como objetivo recuperar a ferrovia, considerada um dos principais patrimônios históricos da Serra da Mantiqueira.

Além do comunicado, o governador divulgou um vídeo em que explica que a concessão faz parte do programa de investimentos do Governo de São Paulo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Segundo ele, a Estrada de Ferro Campos do Jordão foi implantada no início do século XX por sanitaristas, com a finalidade de transportar pacientes em busca de tratamento para tuberculose no clima da serra, e, ao longo do tempo, passou a ter papel relevante no turismo regional.

Durante o pronunciamento, Tarcísio também citou a perda de condições operacionais da ferrovia nos últimos anos e destacou que a concessão permitirá a recuperação da estrutura com recursos privados.

De acordo com o governador, o projeto prevê investimentos em revitalização e a incorporação de novos atrativos ao longo do trajeto.

Entre os pontos mencionados está a integração da ferrovia com o Museu da História Ferroviária e com o Parque Reino das Águas Claras, em Pindamonhangaba.

O plano também considera a ampliação dos deslocamentos turísticos entre Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, com impacto direto no turismo regional e nas atividades econômicas associadas.

Segundo o governador, a proposta pode fortalecer o fluxo turístico entre os municípios da Serra da Mantiqueira, ampliar a geração de empregos e contribuir para a retomada do transporte ferroviário de passageiros no Estado de São Paulo.

Próximas etapas e cronograma

Conforme o cronograma divulgado pelo Governo do Estado, o edital de leilão deve ser publicado e finalizado ainda no primeiro semestre de 2026. Já o leilão e a assinatura do contrato de concessão estão previstos para o segundo semestre do ano.

O projeto foi discutido em duas audiências públicas realizadas em 2025 e prevê a requalificação da ferrovia de forma gradual, em etapas definidas. O plano inicial contempla três trechos principais.

O primeiro trecho liga a Estação Emílio Ribas, no bairro do Capivari, ao portal de entrada de Campos do Jordão. O segundo conecta a Estação Emílio Ribas à Estação Nova Portal, também dentro do município.

Já o terceiro trecho prevê a ligação entre a Estação Emílio Ribas e a Estação Eugênio Lefévre, em Santo Antônio do Pinhal.

Uma etapa adicional poderá incluir a recuperação do trecho urbano de Pindamonhangaba. Essa fase dependerá de novos estudos técnicos, de demandas da administração municipal e das decisões do futuro concessionário, caso a intervenção seja incorporada ao escopo final da concessão.

Aspectos técnicos e impacto regional

Além da relevância turística e histórica, a concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão envolve questões técnicas, principalmente no trecho plano de Pindamonhangaba, que possui maior extensão e demanda investimentos mais elevados.

O projeto prevê a modernização da via permanente e a adoção de sistemas como o de cremalheira, utilizados para garantir a operação em áreas de declive acentuado.

A expectativa do Governo do Estado é que a concessão contribua para o desenvolvimento econômico regional, estimule o turismo sustentável e possibilite a recuperação de um dos principais símbolos da história ferroviária paulista.

Para Campos do Jordão e cidades do entorno, o avanço do edital representa um passo concreto para a reativação da ferrovia como produto turístico estruturado e como alternativa de geração de emprego e renda na Serra da Mantiqueira.