Globo revela como a vida em SP afeta a saúde mental de milhões

Reportagens abordam desafios para manter o bem-estar na maior cidade do País

Vida em grandes cidades está diretamente ligada ao risco de transtornos mentais

Vida em grandes cidades está diretamente ligada ao risco de transtornos mentais | Kaique Rocha/Pexels

O telejornal SP1, da TV Globo, exibe uma série especial de reportagens que investiga como a vida na cidade de São Paulo impacta o bem-estar emocional de seus habitantes, a partir desta segunda-feira (7/7).

A produção ouviu moradores, trabalhadores e especialistas que enfrentam o desafio de preservar a saúde mental no cotidiano da maior metrópole do País. As reportagens vão ao ar nos dias 7, 8 e 9 de julho.

“O que me chamou a atenção foi perceber como o tema está presente nas conversas. Foi fácil encontrar pessoas dispostas a falar sobre suas experiências. Um assunto que antes era tabu, especialmente no ambiente de trabalho, hoje é reconhecido como essencial”, revelou o repórter Fabrício Lobel, que conduz a série.

“Queremos esclarecer mitos, estimular a autocrítica e incentivar a busca por ajuda especializada quando necessário”, completou o jornalista.

Risco dos grandes centros

Segundo a TV Globo, em 2024 uma pessoa foi atendida por crise de ansiedade a cada dois minutos e meio no estado de São Paulo -um aumento de 400% nos últimos cinco anos.

A produção explica como essas crises afetam o organismo e quais são os sinais de alerta.

O psiquiatra Rodrigo Simonini Delfino, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que fatores urbanos estão diretamente ligados ao risco de transtornos mentais.

“As taxas de depressão e ansiedade são mais altas em grandes centros. Mesmo pessoas sem predisposição biológica podem desenvolver transtornos, dependendo do nível de estresse a que estão expostas. Por isso, é fundamental reconhecer os limites entre o equilíbrio e o adoecimento mental”, explicou.

Especialistas apontam três pilares essenciais para a saúde mental: qualidade do sono, prática regular de atividade física e manutenção de vínculos sociais.

Bullying nas escolas

As reportagens também abordam a saúde mental entre os jovens. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE), 3,8% das meninas e 4,2% dos meninos disseram não ter amigos próximos.

Além disso, 8% dos meninos relataram percepção negativa sobre sua saúde mental – índice que mais que triplica entre as meninas. A aparência corporal foi apontada como principal motivo de bullying, e quase um terço das meninas afirmou sentir que a vida não vale a pena.

A crise também afeta o mundo do trabalho. Em 2024, quase meio milhão de afastamentos por transtornos mentais foram registrados no País – o maior número em pelo menos uma década, segundo o Ministério da Previdência Social.

Na Capital, dados da Secretaria Municipal da Saúde, mostram que, de janeiro a julho deste ano, foram registrados 133 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho, sendo 38 de burnout. E esse estado de esgotamento físico, emocional e mental tem feito muita gente ser afastada pelo INSS.

O conteúdo mostra iniciativas de empresas que buscam promover o bem-estar no ambiente corporativo.