O mistério do fenômeno em Goiás que criou a maior cidade de águas termais do planeta sem precisar de vulcão

Processo geológico raro aquece águas a 37 °C há mais de mil anos e atrai 1 milhão de visitantes no meio do inverno

Parque Estadual da Serra Criado em 1970 para proteger as nascentes das águas hidrotermais, o parque fica entre Caldas Novas e Rio Quente. É um dos passeios mais tradicionais da região e perfeito para quem gosta de ficar perto da natureza.

Goiás surpreende o país com um verdadeiro oceano de águas termais escondido sob o solo do Cerrado. / Divulgação, Secretária de turismo do Goiás

Em pleno mês de julho, enquanto boa parte do País enfrenta o frio do inverno, milhares de pessoas trocam os casacos por trajes de banho no interior de Goiás.

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O motivo não é o sol do Centro-Oeste, mas o que brota do próprio solo, onde um oceano subterrâneo de águas nasce naturalmente a 37 °C.

A combinação de banho quente garantido e infraestrutura de lazer transformou Caldas Novas e Rio Quente no maior complexo hidrotermal do planeta.

O recorde histórico de 1 milhão de visitantes

O sucesso desse paraíso térmico bateu marcas impressionantes. Só nas férias de meio de ano em 2026, mais de 1 milhão de viajantes passaram pela região, um volume de pessoas que superou até as projeções mais otimistas do setor hoteleiro, que esperava cerca de 700 mil turistas.

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No total, a força dessas águas faz girar cerca de R$ 3 bilhões por ano em uma cadeia que vai de grandes resorts ao comércio local.

O fim do mito do vulcão e a chuva da Idade Média

A grande ironia dessa história é o mito do vulcão, pois durante décadas acreditou-se que a região abrigava uma antiga cratera vulcânica, mas a explicação de institutos como o Ministério do Turismo e a Goiás Turismo mostra que a realidade é ainda mais impressionante.

Na verdade, a Serra de Caldas funciona como uma grande esponja natural que recolhe a água da chuva.

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Essa água entra pelas pequenas rachaduras do solo e faz uma longa viagem para debaixo da terra, descendo a mais de um quilômetro de profundidade.

É lá embaixo que a água tem contato com o calor natural do próprio interior do planeta, que funciona como um aquecedor gigante e esquenta o manancial até atingir 57 °C nos pontos mais profundos do subsolo. 

Nas profundezas, superaquecida e sob intensa pressão, a água ganha força para fazer o caminho de volta e jorrar na superfície, chegando aos resorts na temperatura agradável de 37 °C.

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Testes de laboratório acompanhados por pesquisadores de universidades do Centro-Oeste e exames de datação por carbono revelam um detalhe quase inacreditável, já que a água quente em que o visitante mergulha hoje caiu do céu em forma de chuva há mais de mil anos, ainda na Idade Média.

Refúgio aquecido em qualquer época do ano

Essa abundância viabilizou a criação de atrações únicas, como o único rio de águas quentes naturais do país e complexos de lazer, como o Hot Park, com praias artificiais de ondas mornas.

A facilidade de acesso, seja por voos diretos para o aeroporto local ou pela proximidade com Goiânia, consolidou a região como o destino de fuga perfeito para famílias que buscam calor garantido e descanso sem precisar depender da sorte com a previsão do tempo.