Gripe ou resfriado: qual a diferença e o que fazer em cada caso?

Saber diferenciar as duas doenças é fundamental para adotar o tratamento correto

Apesar dos sintomas similares, gripe e resfriado são diferentes/ Foto Mojpe/ Pixabay

Apesar dos sintomas similares, gripe e resfriado são diferentes/ Foto Mojpe/ Pixabay

Com a chegada do frio, espirros, congestão nasal, dor de garganta e outros incômodos começam a fazer parte do nosso dia a dia, mas apesar da semelhança de sintomas, essas doenças não são todas “a mesma coisa”.

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É muito comum que as pessoas usem os termos “gripe” e “resfriado” como se fossem sinônimos, mas, para a medicina, eles descrevem condições médicas diferentes. Ambas são infecções respiratórias causadas por vírus, mas o tipo de microrganismo envolvido e a intensidade do impacto no organismo mudam completamente o cenário. 

Especialistas reforçam que saber diferenciar as duas doenças é fundamental para adotar o tratamento correto, evitar o uso desnecessário de medicamentos e identificar o momento exato de procurar ajuda médica profissional.

O que define o resfriado?

O resfriado é considerado uma infecção leve e localizada, que atinge principalmente o trato respiratório superior, englobando o nariz e a garganta. O grande responsável pela maioria dos resfriados é o Rinovírus, embora existam mais de duzentos outros tipos de vírus que podem causar os mesmos sintomas.

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Os sinais do resfriado costumam surgir de forma gradual, manifestando-se por meio de coriza, congestão nasal, espirros constantes, dor de garganta leve e, raramente, uma febre baixa.

A maioria das pessoas consegue manter suas atividades diárias e se recupera totalmente em poucos dias, já que a indisposição é pequena e o corpo combate o invasor sem grandes dificuldades.

O que define a gripe?

Por outro lado, a gripe é uma infecção sistêmica muito mais forte e agressiva, causada exclusivamente pelo vírus Influenza. Esse vírus possui variações perigosas como o Influenza A (responsável por subtipos conhecidos como H1N1 e H3N2) e o Influenza B, que passam por mutações frequentes.

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Ao contrário do resfriado, a gripe surge de maneira súbita e derruba o paciente, provocando febre alta logo nas primeiras horas, dores musculares intensas por todo o corpo, dor de cabeça forte, tosse seca e um cansaço extremo que impede a realização de tarefas simples.

O principal perigo da gripe reside no fato de que o vírus fragiliza o organismo a ponto de abrir portas para complicações graves, sendo a pneumonia a intercorrência mais comum e preocupante.

Como se pega cada uma delas?

A forma como pegamos cada uma dessas doenças é praticamente a mesma, baseada na transmissão respiratória e pelo contato direto.

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Tanto o Rinovírus quanto o vírus Influenza são propagados quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala, espalhando gotículas invisíveis no ar que são aspiradas por quem está por perto.

Além disso, a transmissão ocorre frequentemente pelas mãos. O indivíduo doente contamina superfícies de uso comum, como maçanetas, corrimãos e apoios de transporte público. Em seguida, outra pessoa toca nesses locais e leva as mãos aos olhos, ao nariz ou à boca, introduzindo o vírus diretamente nas próprias mucosas.

O mito da friagem e do vento gelado

Essa dinâmica de transmissão ajuda a explicar um dos maiores mitos da medicina popular: a ideia de que tomar friagem ou vento gelado causa gripe de forma direta. Nenhum vento frio carrega o vírus magicamente. Você só fica doente se entrar em contato com o microrganismo de outra pessoa.

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O que acontece é que o frio atua como um facilitador indireto da infecção. O ar gelado e seco resseca as mucosas do nariz e diminui os movimentos dos cílios das vias respiratórias, que são os pelos microscópicos responsáveis por varrer os invasores para fora. 

Com essa barreira natural enfraquecida, o vírus entra mais facilmente. Somado a isso, nos dias frios, as pessoas passam mais tempo aglomeradas em ambientes fechados e com pouca ventilação, criando o cenário perfeito para a proliferação dos vírus.

Vírus e bactérias não são a mesma coisa

Outra confusão muito comum envolve a diferença biológica entre vírus e bactérias, o que leva muitas pessoas ao erro perigoso de tomar antibióticos por conta própria.

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Os vírus da gripe e do resfriado não possuem células próprias e precisam invadir o nosso organismo para se multiplicar.

Os antibióticos foram desenvolvidos exclusivamente para combater bactérias, que são organismos vivos e celulares independentes. Portanto, tomar antibiótico contra uma virose não surte efeito nenhum e ainda prejudica a saúde, criando bactérias mais resistentes no seu corpo.

O único momento em que a bactéria entra na história é quando o sistema imunológico fica muito fragilizado combatendo o vírus da gripe.

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Nesse momento, uma bactéria “oportunista” pode se aproveitar da vulnerabilidade para causar uma infecção secundária, como uma pneumonia ou sinusite bacteriana. Apenas nesses casos confirmados o médico receitará um antibiótico adequado.

Como tratar os sintomas corretamente

Para tratar tanto a gripe quanto o resfriado, devemos focar no alívio dos sintomas e no suporte ao corpo, já que ambas as doenças são autolimitadas e o próprio sistema imunológico se encarrega da cura com o tempo. 

O paciente deve priorizar o repouso absoluto para poupar energia e garantir uma hidratação abundante, bebendo muita água, sucos e chás para fluidificar o muco nasal e facilitar a eliminação das secreções.

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A lavagem nasal com soro fisiológico deve ser feita várias vezes ao dia para desentupir o nariz de forma mecânica e segura.

Medicamentos como analgésicos e antitérmicos comuns podem ser utilizados para controlar as dores e a febre, sempre respeitando as dosagens corretas e evitando fórmulas comerciais combinadas sem orientação. 

Remédios caseiros clássicos, como canja de galinha e mel, têm validação científica. O vapor quente do caldo atua desobstruindo as vias aéreas, enquanto o mel acalma a garganta irritada e reduz a intensidade da tosse.

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A importância da prevenção diária

A melhor estratégia, contudo, é a prevenção combinada entre hábitos de higiene e imunização ativa. A medida preventiva mais eficaz contra a gripe é a vacinação anual, disponível na rede pública e privada.

Ela é formulada com vírus mortos e incapazes de causar a doença, servindo para treinar o sistema de defesa do corpo contra as cepas mais recentes e perigosas do Influenza.

Para evitar tanto a gripe quanto o resfriado no cotidiano, as autoridades de saúde recomendam lavar as mãos com água e sabão frequentemente ou usar álcool em gel.

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Também é fundamental evitar tocar o rosto antes de higienizar as mãos, manter os ambientes domésticos e de trabalho sempre bem ventilados e adotar a chamada etiqueta respiratória, que consiste em cobrir a boca e o nariz com o antebraço ou com um lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Quando é a hora de procurar um médico?

É crucial saber o momento exato de buscar a avaliação de um médico em um pronto-socorro ou unidade de saúde. Embora o resfriado passe em poucos dias sem maiores problemas, a gripe exige atenção redobrada devido ao seu potencial de gravidade.

Os sinais de alerta que indicam que a doença está evoluindo para uma complicação incluem a falta de ar crônica, dificuldade ou chiado ao respirar, dor forte no peito e uma febre persistente que não cede ou diminui mesmo após três dias de uso correto de antitérmicos.

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Pessoas que fazem parte dos grupos de risco, como idosos, bebês, gestantes e portadores de doenças crônicas como asma ou problemas cardíacos, devem receber orientação médica logo nos primeiros sintomas de gripe para evitar quadros graves.