IPT transforma floresta urbana em laboratório contra o estresse no trabalho

Com cerca de 3 mil árvores no campus, instituto pesquisa como experiências de imersão na natureza podem promover bem-estar e saúde ocupacional

Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está utilizando a própria floresta urbana de seu campus, na cidade de São Paulo, como base para pesquisas voltadas à promoção do bem-estar e à redução do estresse no ambiente de trabalho. Foto: Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está utilizando a própria floresta urbana de seu campus, na cidade de São Paulo, como base para pesquisas voltadas à promoção do bem-estar e à redução do estresse no ambiente de trabalho. A iniciativa faz parte do projeto IPT Sustentável – Floresta Urbana, que transforma o espaço institucional em um laboratório vivo para o desenvolvimento de soluções aplicadas em saúde ocupacional.

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 A ação se insere em um contexto em que a saúde mental se consolida como um dos principais desafios das organizações.

O estresse é reconhecido como fator de risco relevante, associado ao desenvolvimento de burnout, transtornos mentais e distúrbios do humor, além de impactar a segurança no trabalho e as relações interpessoais.

O tema é tratado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das prioridades de saúde pública deste século. Estudos como o Efficacy of a multicomponent nature-based intervention on well-being and environmental engagement: a randomized clinical trial, de 2025, publicado pelo grupo da doutora Elizeth Ribeiro Leão, apontam que a exposição a ambientes naturais contribui para a redução do estresse e a melhoria da qualidade de vida.

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 No IPT, esse potencial passa a ser explorado de maneira estruturada, integrando pesquisa científica, infraestrutura ambiental e práticas voltadas ao cotidiano de trabalho. Dentro desse contexto, o Instituto desenvolve a iniciativa ‘Desconectar para Reconectar: Imersão na Natureza do IPT’, que avalia os impactos de experiências de imersão nos bosques do campus sobre o bem-estar dos participantes.

Durante a atividade, são realizadas caminhadas leves associadas a estímulos sensoriais que favorecem a desaceleração do corpo e da mente, configurando uma abordagem prática para a promoção da saúde no ambiente de trabalho.

Os resultados iniciais indicam que a imersão na floresta urbana pode se consolidar como uma estratégia inovadora e eficaz na promoção da saúde ocupacional.

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“O nosso campus é um laboratório em si, um campo de prova para diferentes ensaios. Ao trazer as pessoas para esse ambiente, ampliamos a percepção dos benefícios que já estão ao nosso redor. A proposta é que todos façam parte dessa construção de evidências”, destaca Fabiano Moraes, diretor de Desenvolvimento de Pessoas e Administração do IPT.

 Além das ações práticas, o projeto também contempla iniciativas de conscientização, com campanhas educativas e produção de conteúdo técnico e científico voltado à disseminação do conhecimento gerado.

Patrimônio ambiental para a cidade de São Paulo

Com cerca de três mil árvores e uma rica biodiversidade, o campus do Instituto reúne um patrimônio ambiental que se configura como ativo ecológico e científico. A iniciativa reforça o papel do IPT como instituição pública estratégica na geração de soluções tecnológicas com impacto direto na sociedade.

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O projeto Floresta Urbana contempla diferentes frentes de atuação. Entre elas, o uso de tecnologias de inventário florestal e geoprocessamento para manutenção do Plano Preventivo de Manejo Arbóreo (PPMA), responsável por monitorar riscos e garantir a convivência segura entre a vegetação e a infraestrutura.

 Também são aplicadas soluções baseadas na natureza, como a formação de corredores ecológicos, conectando a vegetação do campus a áreas verdes vizinhas, como as da Universidade de São Paulo (USP) e as do Instituto Butantan, além da integração com iniciativas de gestão de água, energia e resíduos.

Outra frente relevante é o monitoramento da fauna, com foco na conservação de espécies e na convivência harmoniosa, incluindo ações voltadas às abelhas nativas sem ferrão, em parceria com o Instituto de Biociências da USP.

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“Contar com o apoio de nossos especialistas em árvores é um diferencial estratégico que assegura as melhores práticas de manejo e ainda amplia nossa capacidade de desenvolver soluções para a gestão de florestas urbanas”, afirma Adriano Marim de Oliveira, diretor de Operações do IPT.

Em outras palavras, o projeto nasceu da necessidade de implantar um sistema de monitoramento e gestão do patrimônio arbóreo do campus, visando reduzir riscos, orientar o manejo preventivo e garantir a segurança das pessoas e da infraestrutura.

Com o avanço dos trabalhos, percebeu-se que a floresta urbana do IPT representava muito mais do que um conjunto de árvores: trata-se de um ativo ambiental, científico e tecnológico capaz de impulsionar pesquisas, desenvolver soluções baseadas na natureza e promover qualidade de vida.

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“Essa visão ampliou o escopo do projeto, que hoje integra ações de conservação da biodiversidade, monitoramento da fauna, gestão ambiental, pesquisa aplicada e promoção do bem-estar, transformando o campus em um laboratório vivo para o desenvolvimento de tecnologias e soluções sustentáveis com impacto positivo para a sociedade”, afirma o técnico e coordenador do projeto, Luiz Roberto Magossi.

Quatro dimensões são utilizadas em iniciativa conjunta

O IPT possui colaboração científica com pesquisadoras do Einstein Hospital Israelita. As doutoras Eliseth Ribeiro Leão e Roberta Maria Savieto atuam no Centro de Ensino e Pesquisa da organização e possuem expertise no tema.

A interface entre saúde e natureza tem sido estudada pelo grupo de pesquisa e-Natureza, que desenvolveu e validou uma intervenção de saúde denominada: Um Tempo com e-Natureza. O modelo que fundamenta essa intervenção contempla quatro dimensões: estético-emocional, multissensorial integrada, conhecimento e comportamental.

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Essa intervenção multicomponente demonstrou promover bem-estar, conexão e engajamento com a natureza.

 “Esta colaboração aproxima competências complementares: o conhecimento sobre o manejo e a conservação das árvores e as evidências científicas de que experiências estruturadas na natureza podem beneficiar humanos e não humanos. Juntas, essas competências ampliam a possibilidade de transformar áreas verdes urbanas em espaços de cuidado, aprendizagem e conexão com a natureza”, afirma Eliseth Ribeiro Leão, líder do grupo de pesquisa.

Há previsão de que a equipe do Einstein ofereça a intervenção na floresta urbana do IPT ainda neste ano, em uma ação concreta para fortalecer saúde e ambiente.

“A floresta urbana do IPT já oferece condições muito favoráveis para experiências de bem-estar e aproximação com a natureza. A contribuição do e-Natureza será agregar a esse contexto uma intervenção fundamentada em um modelo científico e conduzida por meio de um protocolo estruturado”, afirma Roberta Maria Savieto.

O modelo que fundamenta essa intervenção contempla quatro dimensões

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1. Estético-emocional

2. Multissensorial integrada

3. Conhecimento

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4. Comportamental