André Mendonça afasta diretor da PF, Andrei Rodrigues, após relatório usado contra Moraes; decisão já tem maioria no STF

André Rodrigues e diretor de Inteligência foram afastados por decisão liminar; julgamento na Segunda Turma foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes, mas medida segue em vigor

Alexandre de Moraes e André Mendonça se tornaram rivais no STF / Marcelo Camargo/Agência Brasil / Nelson Jr./STF

Alexandre de Moraes e André Mendonça / Marcelo Camargo/Agência Brasil / Nelson Jr./STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.

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A decisão já recebeu três votos favoráveis na segunda turma do Supremo, formando maioria para manter os afastamentos.

No entanto, o julgamento foi interrompido após Gilmar Mendes pedir vista. Enquanto isso, a medida continua valendo.

Mendonça justificou o afastamento pela produção de um relatório interno da PF que foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra ele por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso envolvendo o Banco Master e o INSS.

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Na decisão, Mendonça citou a “superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes”.

Segundo ele, o episódio exige providências para impedir que prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial sejam desrespeitadas.

Julgamento tem maioria

A análise ocorre em uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF, convocada pelo presidente do colegiado, ministro Luiz Fux.

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Fux e Nunes Marques anteciparam os votos e acompanharam integralmente Mendonça. Com isso, três dos cinco integrantes da turma já votaram pela manutenção dos afastamentos.

Gilmar Mendes, porém, pediu vista e interrompeu a conclusão do julgamento. A liminar de Mendonça continua em vigor.

Além dos afastamentos, a decisão suspendeu a produção de relatórios de inteligência sobre a atuação de magistrados e defensores públicos.

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Relatórios motivaram crise

A crise na inteligência da PF ganhou força no início de setembro, após mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro mencionarem o nome “Andrei”.

Segundo a própria PF, a referência seria a Andrei Rodrigues.

O episódio se agravou depois que Alexandre de Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF durante agosto.

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Para Mendonça, os documentos indicariam que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de “monitoramento sistemático e de coleta dirigida” de informações.

O ministro comparou a estrutura à distopia “1984”, de George Orwell, e citou precedentes do Supremo contra o uso da inteligência estatal para monitorar ou catalogar autoridades e cidadãos.