A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) realizou uma operação de busca e apreensão, na manhã desta segunda-feira (26/1), em endereços de suspeitos investigados por maus tratos e coação na morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.
O caso aconteceu depois da ausência por dias do animal, que era conhecido e cuidado pelos locais. Ao ser encontrado por uma moradora da região, ele foi levado ao veterinário, onde foi constatado a gravidade de seus ferimentos, não sobrando opção além da eutanásia.
As ações têm como objetivo reunir novos elementos para a investigação. Até o momento, ao menos quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte de Orelha.
Suspeitos e apreensões
Na busca e apreensão realizada pela PMSC foi encontrada uma porção de droga. Neste e em outros locais foram apreendidos celulares e telefones.
Até o momento, a Polícia Civil conseguiu identificar quatro adolescentes suspeitos de estarem envolvidos no caso.
A investigação, que segue em sigilo, também apura por meio de delegacia especializadas, a possibilidade de crimes conexos envolvendo coação de testemunhas por maiores de idade.
Nota divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina
Em nota divulgada no último domingo (25/1), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que acompanha o caso e aguarda o avanço das investigações.
Segundo o órgão, “diversas pessoas já foram ouvidas, e novas oitivas estão previstas para os próximos dias”, conforme a consolidação dos elementos reunidos pela autoridade responsável pela apuração.
O MPSC acrescentou que a expectativa é de que, nos próximos dias, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso conclua a fase de coleta de depoimentos e encaminhe o procedimento ao Ministério Público.
A partir disso, a 10ª Promotoria de Justiça deverá ouvir os adolescentes supostamente envolvidos, analisar o material reunido e avaliar os encaminhamentos cabíveis, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Quem era Orelha?
Figura conhecida na Praia Brava, Orelha era um dos cães comunitários que circulavam livremente pela região, onde existem ao menos três abrigos mantidos para animais que se tornaram parte do dia a dia do bairro.
Além da convivência com moradores, o cachorro também interagia com outros pets da área e era presença frequente em passeios e encontros informais pelas ruas.
Em nota divulgada no último dia 17, a Associação de Moradores da Praia Brava ressaltou o vínculo construído ao longo dos anos entre o animal e a comunidade local.
Segundo a entidade, Orelha era cuidado de forma espontânea por diferentes pessoas e acabou se tornando um símbolo afetivo da relação entre moradores, espaço urbano e os animais que ali vivem.
A situação envolvendo um cão comunitário não é um caso isolado no Brasil. Um exemplo recente foi a operação realizada pela Polícia Militar que, no fim de novembro de 2025, resgatou 72 cães e uma tartaruga mantidos em condições insalubres em uma residência em Arujá, na Grande São Paulo.
