Keeta é denunciada ao MPT por suposta pressão sobre entregadores para acelerar entregas

Representação aponta que o aplicativo envia alertas informando que a velocidade do motociclista está "abaixo do esperado"

Estreia marca o primeiro passo do investimento de R$ 5,6 bilhões previsto para os próximos cinco anos

Denúncia foi protocolada pelo entregador Elias Pereira Freitas da Silva Júnior, conhecido como JR Freitas/Divulgação/Meituan

A plataforma de delivery Keeta, controlada pela chinesa Meituan, foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) sob a acusação de adotar práticas que colocariam em risco a segurança de entregadores.

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A representação aponta que o aplicativo envia alertas informando que a velocidade do motociclista está “abaixo do esperado”, oferece bônus por entregas realizadas em menos tempo e estabelece um prazo de até 49 segundos para que os trabalhadores aceitem novos pedidos.

A denúncia foi protocolada pelo entregador Elias Pereira Freitas da Silva Júnior, conhecido como JR Freitas, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos.

Pressão por entregas

Segundo ele, motociclistas relataram que o sistema da plataforma cria pressão para acelerar as entregas, aumentando o risco de acidentes no trânsito. O documento também questiona se o algoritmo leva em consideração fatores como congestionamentos, semáforos, condições climáticas e do pavimento ao calcular o tempo de entrega.

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Outro ponto citado é o cronômetro para aceitação das corridas. De acordo com a representação, durante esse período os entregadores recebem avisos de que outros profissionais também podem aceitar o pedido, o que, segundo o denunciante, gera ansiedade e pode desviar a atenção de quem está pilotando.

No pedido encaminhado ao MPT, Freitas solicita que a plataforma preserve registros como dados de geolocalização, mensagens enviadas aos entregadores, critérios de remuneração e histórico de bloqueios.

A representação também pede a suspensão dos alertas relacionados à velocidade até que sua segurança seja comprovada, a desvinculação de bônus de metas consideradas de risco, uma auditoria independente do algoritmo, maior transparência sobre bloqueios e pagamentos e proteção contra eventuais retaliações aos trabalhadores que participarem da investigação.

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O MPT informou que não comentou especificamente a denúncia contra a Keeta. O órgão, porém, afirmou que já conduz uma investigação sobre riscos relacionados à velocidade praticada por entregadores de aplicativos e os impactos na segurança viária.

O que diz a Keeta

Em nota, a Keeta afirmou que a segurança dos entregadores parceiros é prioridade e que investe em sistemas próprios e algoritmos de inteligência artificial para otimizar rotas, reduzir o tempo de espera e aumentar o número de entregas sem sobrecarregar os trabalhadores.

A empresa declarou ainda que essas tecnologias permitem cumprir os prazos previstos no aplicativo sem que os entregadores precisem ultrapassar os limites de velocidade.

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Segundo a plataforma, a política de “Horário Garantido”, que oferece compensação ao consumidor em caso de atraso, é sustentada por planejamento e tecnologia, e não por pressão sobre os parceiros. A Keeta também informou que mantém diálogo com autoridades, especialistas em mobilidade e representantes do setor para desenvolver políticas voltadas à segurança nas entregas.