Maurício Souza tem contrato rescindido com Minas Tênis Clube

A decisão ocorre após o jogador ter feito uma postagem em sua conta no Twitter que foi considerada homofóbica

A decisão foi anunciada nesta quarta após pressão de patrocinadores e internautas

A decisão foi anunciada nesta quarta após pressão de patrocinadores e internautas | Miriam Jeske/COB/Direitos Reservados

O Minas Tênis Clube anunciou nesta quarta-feira (27) que rescindiu o contrato com o jogador de vôlei Maurício Souza. O jogador da Seleção Brasileira fez publicações consideradas homofóbicas em seus perfis no Twitter.

Continua após a publicidade

O jogador chegou ainda a tentar uma retratação em uma nova postagem, mas a manifestação não foi considerada de fato um arrependimento pelos internautas. O clube, então, decidiu encerrar o compromisso com o central de 33 anos.

O Clube fez ainda um comunicado oficial em sua conta no Twitter para informar sobre a decisão.

Há duas semanas, o jogador manifestou seu descontentamento com o anúncio da DC Comics de que o novo Super-Homem, filho do Super-Homem original, vai se descobrir bissexual nas próximas edições dos quadrinhos. “Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”, escreveu. 

Continua após a publicidade

Deu-se, então, uma discussão virtual com Douglas Souza, seu companheiro na seleção brasileira e membro da comunidade LGBTQIA+. A situação cresceu a ponto de a Fiat e a Gerdau, que bancam os times feminino e masculino de vôlei do Minas, cobrarem do clube uma posição firme sobre o assunto. 

A diretoria publicou na segunda-feira (25) uma nota considerada branda e tardia, na qual condenava a homofobia, mas defendia que “todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais”. Apontava ainda que havia conversado “internamente” com o central. 

O texto não satisfez boa parte da opinião pública e incomodou os patrocinadores. Em notas separadas, bem mais duras do que a apresentada pelo Minas, a Fiat e a Gerdau pediram na terça (26) a tomada de “medidas cabíveis”. No caso da Fiat, as palavras foram em tom de cobrança por uma solução “no espaço mais curto de tempo possível”. 

Continua após a publicidade

Ainda na terça, os dirigentes tiveram uma reunião com esses patrocinadores e decidiram pelo afastamento. Houve uma reação negativa de parte do elenco. Chegou a circular a informação de que o capitão William havia redigido uma carta, assinada por todos os companheiros -entre eles o abertamente gay Maique-, ameaçando deixar a equipe se o contrato de Maurício fosse rescindido. 

“Calma, gente. Eu não assinei nada!”, publicou Maique, que costuma chamar o companheiro de “amigo” apesar de considerar “burrice” seu posicionamento homofóbico. “Continuo lutando pelos meus direitos e de toda a nossa comunidade. Tem coisas [com] que não compactuo e não aceito”, acrescentou. “As coisas estão aí, e todo o mundo está vendo. Não tem como passar pano.” 

O líbero ainda republicou a nota oficial da Fiat e agradeceu: “Muito obrigado, seguimos juntos lutando”. Antes, Douglas Souza, que está atuando no Vibo Valentia, da Itália, havia publicado mensagem semelhante, celebrando o posicionamento das empresas. E atletas como Carol Gattaz, que defende a equipe feminina do Minas, adotaram o mesmo tom. 

Continua após a publicidade

“Homofobia é crime. Racismo é crime. Respeito é obrigatório. Está na lei, garantido pela Constituição. Já toleramos desrespeito, gracinhas e preconceitos disfarçados de opinião por muito tempo. Chega!”, escreveu Gattaz, que já teve relações públicas com mulheres. “Homofobia é crime”, repetiu a ex-jogadora Fabi Alvim, bicampeã olímpica. 

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, com quem se encontrou recentemente em Brasília, Maurício Souza tem um histórico de declarações e publicações consideradas homofóbicas. A mais recente, pela repercussão, causou um incômodo maior nos patrocinadores do Minas, cuja pressão sobre os dirigentes não foi meramente protocolar.