Quem são os milionários que já injetaram fortuna nas Eleições de 2026 e para onde vai o dinheiro?

Dados oficiais do TSE e relatórios parciais revelam a geopolítica do capital privado, os bastidores institucionais do MDB e o avanço sem precedentes das doações populares na disputa deste ano

Grandes fortunas já financiam candidaturas estratégicas para 2026, revelando os interesses do capital privado / Ilustração, IA

Por trás de cada campanha política que ganha as ruas, a televisão e as redes sociais, opera uma engrenagem financeira milionária. Registros parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que um grupo seleto de empresários e grandes herdeiros já começou a assinar cheques de alto valor para financiar candidaturas estratégicas nas eleições de 2026, desenhando o mapa de apostas do capital privado no país.

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Os cheques milionários que lideram o ranking

No topo da lista de doadores individuais até o momento figura o empresário Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da calçadista Grendene. Ele repassou R$ 3 milhões do próprio bolso para a política neste ciclo. A maior fatia (R$ 2,5 milhões) abasteceu a campanha de Luciano Zucco (PL-RS) ao governo gaúcho. Os R$ 500 mil restantes encorparam o caixa de Ciro Gomes (PSDB-CE).

A família Bartelle, inclusive, atua em bloco: seu irmão, Pedro Grendene Bartelle, injetou outros R$ 700 mil no pleito, divididos entre R$ 500 mil para Ciro Gomes e R$ 200 mil para Fabiano Feltrin (PL-RS).

Outro destaque de peso entre as grandes fortunas do mercado financeiro vem da cultura e do setor bancário: os cineastas Walter Moreira Salles Junior e João Moreira Salles, herdeiros do Itaú Unibanco, aportaram juntos R$ 350 mil. O principal repasse da dupla (R$ 100 mil) foi destinado a Chico Rubens Paiva (PSB-RJ), neto do ex-deputado Rubens Paiva.

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O mistério do segundo lugar: quem é Fabiano Silveira?

Em segundo lugar no ranking de CPFs doadores aparece Fabiano Augusto Martins Silveira, com uma transferência de R$ 2 milhões direcionada integralmente ao diretório estadual do MDB na Paraíba.

Diferente dos industriais tradicionais, Fabiano Silveira carrega peso institucional: é advogado, consultor legislativo do Senado e ex-ministro da Transparência, Fiscalização e Controle do governo Michel Temer. O aporte expressivo ao MDB paraibano fortalece o caixa regional da legenda no estado e coloca o nome do ex-ministro sob os holofotes dos bastidores partidários.

O boom da vaquinha eleitoral: a força do crowdfunding

Nem só de magnatas vive a captação individual. Pela primeira vez neste volume, as plataformas de financiamento coletivo (crowdfunding) mostram musculatura financeira ao ultrapassar a marca de R$ 8,8 milhões arrecadados no país.

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Nomes com forte engajamento digital lideram a arrecadação na plataforma QueroApoiar:

  • Renan Santos (Missão): R$ 1,26 milhão.
  • Marcel Van Hattem (Novo): R$ 743 mil.
  • Jones Manoel (PSOL): R$ 573 mil.

A dinheirama concentrada na corrida presidencial

Apesar da relevância das doações de pessoas físicas e do crowdfunding, o volume principal que financia o pleito do Planalto continua vindo dos cofres públicos via Fundo Eleitoral.

Segundo dados apurados junto à Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) lidera a arrecadação partidária com R$ 42 milhões repassados pelo PL. Logo atrás surge o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu R$ 35,2 milhões da cúpula petista para a disputa.

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Para onde vai o dinheiro e quais são as regras?

Na ponta final da cadeia, a prestação de contas parcial do TSE indica onde as equipes de campanha estão queimando o caixa: cerca de 20% de todas as despesas contratadas até agora foram destinadas à produção de material impresso (santinhos e panfletos). Logo em seguida, os repasses para gigantes de tecnologia, como a Meta (anúncios no Instagram e Facebook), lideram a lista de fornecedores estratégicos.

O modelo de financiamento segue a legislação eleitoral em vigor:

  • Empresas proibidas: apenas pessoas físicas (CPFs) podem doar diretamente; repasses de pessoas jurídicas seguem vedados pelo STF.
  • Teto de 10%: cada cidadão pode doar no máximo 10% do seu rendimento bruto declarado no Imposto de Renda do ano anterior.
  • Predomínio público: o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ainda responde pela maior fatia dos recursos em disputa.

A evolução dos dados e as prestações de contas parciais podem ser acompanhadas em tempo real no portal DivulgaCandContas do TSE.