Memória: Gino Meneghetti, o ladrão preso furtando casa aos 92 anos

O imigrante italiano teve a ousadia como uma de suas marcas, além de fugir pelado pelos telhados, sempre deixava um cartão com seu nome para que soubessem que aquele roubo havia sido cometido por Gino Meneghetti

Gino Amleto Meneghetti passou cerca de 40 anos na prisão

Gino Amleto Meneghetti passou cerca de 40 anos na prisão | / Acervo UH/Folhapress

Ousadia, audácia e lenda eram algumas das palavras associadas a Gino Amleto Meneghetti, o imigrante italiano que ganhou fama em São Paulo, entre as décadas de 1920 e 1970, roubando joalherias, casas de câmbio e mansões, além de promover fugas espetaculares pelos telhados paulistanos.

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Nascido em Pisa, na Itália, em 1878, Meneghetti chegou ao Brasil em 1913, aos 35 anos, fugindo da justiça francesa e italiana, onde praticava roubos desde os 14 anos. Por aqui, o primeiro delito foi em 1914, pelo qual ele foi preso e condenado a oito anos de prisão.

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Além de inaugurar sua vida de crimes neste lado do Atlântico, o episódio também deu o pontapé inicial para as dezenas de fugas espetaculares protagonizadas por Meneghetti. Um ano e três meses após ser preso, o italiano conseguiu escapar da solitária, escalando as paredes e arrancando no braço as grades de ferro do local. Ao chegar ao pátio da prisão, conseguiu alcançar a uma saída sem ser visto, arrancou as roupas e nadou pelo rio Tamanduateí até a outra margem. Seguiu nu pelos telhados de diversas casas até a casa de um tio, onde se vestiu e ganhou as ruas por anos.

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Fatos marcantes
A habilidade de andar em telhados fez com que Meneghetti ganhasse apelidos como “Gato de Telhado” e “Homem de Pernas de Mola”. Pelo fato de roubar apenas de pessoas ricas, ele também era chamado de “Bom Ladrão” e “Robin Hood do Asfalto”.

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Entre as atitudes que marcaram a sua história está o fato de que toda vez que cometia um delito, deixava um cartão para que todos soubessem que aquele roubo havia sido cometido por Gino Amleto Meneghetti.

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Também marcou sua biografia a vez em que raspou o habitual bigode e ficou ao lado do delegado durante uma coletiva de imprensa, que prometia prendê-lo em alguns dias. Segundo informações da página “Aventuras na História”, antes de deixar o local, ele entregou um bilhete a um jornalista, no qual dizia: “Então por que não me prendeu agora? Eu era aquele rapaz de chapéu e roupa clara, sentado à sua esquerda.”

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Cena do curta metragem sobre Gino Amleto Meneghetti, apelidado de “Gato de Telhado” – Divulgação

“Eu sou um homem”
Durante toda sua vida, Meneghetti passou diversas vezes pela prisão, totalizando cerca de 40 anos de reclusão. A passagem mais longa ocorreu entre 1926 e 1944, quando ele foi acusado de assassinar o delegado Waldemar Dória, crime que sempre negou. Durante o período em que esteve recluso, o medo de ser envenenado fazia com que o italiano lavasse na água da privada toda comida que recebia no presídio.

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Além disso, sua passagem mais longa no cárcere ficou conhecida pelo fato dele ter ficado 15 anos em uma solitária, de onde gritava: “Lo sono um uomo!” (Eu sou um homem!), toda vez que ouvia alguém passando pelo local.

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90 anos e em ação…
Após deixar a prisão, em 1944, Meneghetti mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde continuou cometendo crimes. Tempos depois, ele retornou a São Paulo e abriu uma banca de jornal. O italiano, contudo, foi preso algumas vezes mais e, em uma dessas vezes, acabou perdendo a licença de sua banca.

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Dizendo-se aposentado do crime e na tentativa de fazer com que seu negócio voltasse à ativa, Meneghetti procurou o então prefeito Faria Lima. O encontro ocorreu em dezembro de 1966 e foi noticiado pelos jornais da época.

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Gino Meneghetti morreu em 1976 aos 98 anos. Antes, contudo, ele protagonizaria outros dois momentos marcantes. Em 1968, aos 90 anos, Meneghetti foi preso enquanto tentava assaltar uma casa na Vila Clementino, zona sul de São Paulo. A polícia chegou ao local, após receber ligações de moradores denunciando que havia um homem no telhado.

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A última tentativa de roubo do italiano aconteceu aos 92 anos de idade. Era junho de 1970 e o Brasil havia acabado de se classificar para as semifinais da Copa do Mundo, quando Meneghetti foi flagrado tentando abrir a porta de uma casa na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, com um pé de cabra. O imigrante chegou a ser detido, mas, por conta da idade, foi solto logo em seguida.

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Fontes: Aventuras na História, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.