Mobilidade, enchentes, segurança: como resolver os principais desafios de SP

São Paulo, 472 anos: veja como a cidade pretende começar a superar os desafios que parecem insuperáveis

A CET vai monitorar a interdição e orientar o trânsito na região

Congestionamentos recorrentes é um dos problemas mais antigos da Capital | Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

São Paulo completa 472 anos no próximo domingo (25/1) como a cidade mais rica do Brasil, mas com uma série de desafios que por vezes parecem insuperáveis. As decisões atuais, porém, podem criar um futuro mais satisfatório aos paulistanos. Ou aprofundar os problemas.

Uma pesquisa publicada no ano passado pela Rede Nossa SP e pelo Instituto Cidades Sustentáveis indicou que os moradores apontam a falta de segurança como o principal motivo de insatisfação em viver na Capital. Depois, estão saúde, transporte coletivo, habitação, educação, geração de emprego e renda, enchentes e falta de áreas verdes, entre outros tópicos.

Veja, abaixo, como a cidade enfrenta ou pretende enfrentar os principais gargalos de se viver na maior metrópole nacional.

Segurança pública

Uma das apostas principais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para baixar os níveis de criminalidade na Capital é o Smart Sampa, sistema de câmeras inteligentes interligadas a centrais de monitoramento para prevenir crimes, esclarecer ocorrências e localizar pessoas procuradas pela Justiça.

Segundo o poder público, desde sua implantação, o Smart Sampa já auxiliou na captura de 2.650 foragidos da Justiça e em 3.650 prisões em flagrante relacionadas a diferentes tipos de crimes. O sistema também contribuiu para a localização de 146 pessoas desaparecidas.

A segurança é uma preocupação geral, e não é por acaso. O número de homicídios e furtos registrados na cidade de São Paulo entre janeiro e outubro de 2025 foi maior do que o total registrado no mesmo período de 2024, com um total de 411 casos. Os dados são da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo).

Já o total de furtos em 2024 até outubro foi de 236.573 casos, enquanto no mesmo período de 2025 foram contabilizados 243.121.

Por outro lado, os roubos em geral, que incluem a banco e de cargas, tiveram queda de 22,4% em comparação a outubro dos dois anos.

Há, também, o que muitos classificam como uma epidemia de roubos e furtos de celulares. O balanço oficial do Governo de São Paulo aponta para 46,3 mil casos registrados entre janeiro e setembro na Capital, numa queda de 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Enchentes e alagamentos

A morte de um casal de idosos arrastado pela força das águas durante uma enchente na zona sul de São Paulo chocou a opinião pública na última semana, e aumentou o debate sobre como a cidade deve se preparar para as fortes chuvas comuns no verão de São Paulo.

Para Antônio Giansanti, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), a questão é histórica e complexa e se iniciou com a ocupação descuidada em áreas vulneráveis às inundações durante o processo de crescimento de São Paulo e de municípios do entorno.

“Foram ocupadas áreas como várzeas que naturalmente são inundáveis durante as chuvas intensas. Logo será necessária uma atuação durante um bom período para ter soluções que mitiguem as inundações urbanas”, explicou o especialista à Gazeta.

Para o professor, não existe solução simples para minimizar os danos.

“É possível haver uma cesta de soluções mitigadoras, como as baseadas na natureza e outra obras estruturais que são mais conhecidas, bem como adaptação arquitetônica em áreas consolidadas. Não existe solução mágica, mas baseadas sempre em planejamento e projetos de engenharia”, destacou.

Ainda segundo Giansanti, a mobilidade urbana ficará melhor como consequências de obras estruturais e ações para impedir a ocupação de áreas vulneráveis.

Mobilidade

Neste momento, há uma série de obras em ação e projetos para minimizar a dificuldade diária de se locomover entre regiões de São Paulo. O foco está nos meios de transporte em massa.

A prefeitura iniciou em 2024 as obras do BRT Radial Leste – Trecho 1. O novo corredor de ônibus se estenderá do Parque Dom Pedro até a Estação Penha do Metrô, na zona leste. O investimento é estimado em R$ 385,9 milhões.

Ao mesmo tempo, há o projeto do Corredor BRT Aricanduva. Com 13,6 quilômetros de extensão, o novo corredor ligará a Radial Leste ao Terminal São Mateus, atendendo até 400 mil passageiros por dia. Atualmente, o plano está em fase pré-edital, que deve ser publicado ainda neste ano.

“Teremos o primeiro BRT da cidade de São Paulo. Depois virá o VLT do Centro, um conjunto de ações de mobilidade na nossa cidade. Todas essas ações vão ajudar para em um futuro bem próximo melhorar a mobilidade e, principalmente, diminuir o tempo das pessoas no transporte coletivo”, destacou o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Já o Metrô e as concessionárias que atuam no transporte sobre trilho na Capital e Grande São Paulo têm 26 projetos em andamento – entre estudos, análises e obras em si.

A mais avançada é a Linha 17-Ouro, que chegou à reta final com 95% de conclusão das obras civis. Os trabalhos estão concentrados no acabamento das oito estações para a abertura da linha em março deste ano, na zona sul da cidade.

Em outro lado da cidade, as obras da Linha 6-Laranja do metrô chegaram a 77% de conclusão. O ramal ligará a Brasilândia ao centro de São Paulo.

Há ainda projetos que prometem levar o metrô nos próximos anos a cidades como Guarulhos, Cotia, Taboão da Serra, Santo André e São Bernardo do Campo.

Energia elétrica

Depois de uma série de embates com o poder público, a Enel pode estar começando a deixar a região metropolitana da Capital de vez. 

Em dezembro, Tarcísio, Nunes e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciaram que levariam à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um pedido de caducidade do contrato de concessão de distribuição de energia elétrica que a empresa detém na capital paulista e em outros 23 municípios da região metropolitana. 

Na última sexta-feira (16/1), por decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Advocacia-Geral da União (AGU) publicou uma portaria informando a criação de um grupo especial que investigará as ações da concessionária Enel após falhas no fornecimento de energia na região metropolitana de São Paulo.

A medida é vista como uma etapa formal para tirar oficialmente a empresa de São Paulo.

O prefeito paulistano classificou como “fundamental” a decisão do governo federal. “Embora muito tardia, é uma ação fundamental para que a população deixe de ser refém dos péssimos serviços da Enel”, celebrou Nunes.

Agora, com uma possível nova empresa para prestar o serviço na Capital nos próximos anos, a intenção é que os problemas sejam minimizados à população.