Mulheres Inspiradoras reúne ministra Márcia Helena, ONU e atletas para revelar rota inédita rumo ao topo do mercado

Realizado nesta sexta-feira (4/9), no Tivoli Mofarrej, evento do Mulheres Inspiradoras reuniu autoridades, executivas e lideranças para discutir os desafios da presença feminina nos espaços de decisão

Mulheres Inspiradoras reúne Ministra, ONU e atletas para acelerar ascensão feminina /Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

O Encontro de Alta Liderança Feminina dos Setores Público e Privado, nesta sexta-feira (4/9), no Tivoli Mofarrej, em São Paulo, reuniu mulheres em posições de liderança para discutir a presença feminina nos espaços de poder e decisão.

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Promovido pela plataforma Mulheres Inspiradoras em parceria com o Ministério das Mulheres do Brasil, o evento colocou no mesmo ambiente representantes do governo, empresas, organismos internacionais e lideranças institucionais.

O encontro teve como proposta aproximar essas lideranças e criar uma agenda de diálogo sobre igualdade de gênero, participação feminina e os desafios enfrentados por mulheres que chegam a posições de comando.

Em entrevista exclusiva à Gazeta de S. Paulo, a fundadora da plataforma, Geovana Quadros, classificou a iniciativa como um momento histórico.

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Hoje é um momento histórico. É um momento em que reunimos a alta liderança do setor público com o privado, e não apenas no palco.

Segundo ela, o evento contou com lideranças de grandes empresas brasileiras, representantes do Ministério das Mulheres, da ONU Mulheres e do Pacto Global, além de integrantes da comunidade Mulheres Inspiradoras.

Nos reunimos para trazer uma agenda propositiva pró-mulheres neste momento que é tão importante no Brasil.

Entre as palestrantes estavam a ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, a gerente de DEI do pacto global da ONU, Verônica Vassalo, a Vice-presidente do Banco do Brasil, Ana Cristina Garcia e a presidente da Siemens healthineers, Adriana Costa.

União entre setores é apontada como caminho

A ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, também defendeu a aproximação entre diferentes setores da sociedade para avançar na igualdade.

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Para ela, a participação conjunta do poder público e da iniciativa privada é necessária para transformar o debate em ações.

Tudo que a sociedade precisa é exatamente unir as várias dimensões da organização da sociedade no âmbito público e privado.

Márcia Helena ressaltou ainda que a construção de consensos depende do diálogo, inclusive diante de divergências.

Não existe uma sociedade melhor sem a gente saber e aprender fazer a boa política. E a política se faz quando a gente dialoga, quando a gente se une, quando a gente, mesmo com divergências, constrói consensos.

A ministra também defendeu que a sociedade assuma a pauta da igualdade.

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Nós queremos do Ministério das Mulheres, lutamos pela igualdade de gênero, raça e etnia. E para isso acontecer, toda a sociedade precisa abraçar essa causa.

A importância da articulação foi reforçada por Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.

Segundo ela, governos, empresas e instituições internacionais precisam trabalhar de maneira coordenada para enfrentar a discriminação e ampliar a igualdade de gênero.

Não podemos alcançar a igualdade de gênero das mulheres e lutar contra a discriminação que enfrentam as mulheres sozinhos. Precisamos lutar de maneira conjunta.

Para ela, encontros como o realizado em São Paulo permitem que diferentes setores compartilhem experiências e encontrem possibilidades de atuação conjunta.

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Eu acho que esses eventos entre o setor privado e o setor público permitem compartilhar dados, compartilhar experiências e também criar oportunidades de trabalhar de maneira conjunta, de fazer projetos conjuntos e de conhecer o que existe.

Trabalho de cuidado ainda pesa sobre as mulheres

Além da participação feminina em cargos de liderança, Gallianne chamou atenção para obstáculos que começam antes mesmo da chegada das mulheres aos postos de maior poder.

Entre eles está a divisão desigual do trabalho doméstico e de cuidado.

Segundo a representante da ONU Mulheres, as mulheres têm, em média, 11 horas a mais por semana de trabalho de cuidado em comparação com os homens.

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Esse tempo, segundo ela, reduz as possibilidades de dedicação ao trabalho, aos estudos e ao próprio descanso.

E essas 11 horas são 11 horas que elas não passam trabalhando, ganhando dinheiro, estudando ou simplesmente se relaxando e cuidando delas mesmas. E isso não permite elas chegar no mesmo nível.

Gallianne também apontou desigualdades salariais e o impacto do recorte racial sobre as mulheres negras como fatores que dificultam a chegada aos níveis mais altos de liderança.

Entre as ferramentas apresentadas pela ONU Mulheres está o Women’s Empowerment Principles (WEPs), conjunto de sete princípios voltados às empresas.

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De acordo com Gallianne, as diretrizes indicam medidas que o setor privado pode implementar concretamente para promover a igualdade de gênero.

Hospitalidade como espaço para novas conexões

A realização do encontro no Tivoli Mofarrej também foi relacionada à importância de criar espaços para aproximar lideranças.

Milena Mollo, diretora comercial da rede de hotéis, destacou o papel da hospitalidade na construção de ambientes que favoreçam conversas e articulações entre diferentes setores.

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Muitas conversas transformadoras acontecem quando perspectivas distintas se encontram e a nossa hospitalidade é justamente criar o cenário perfeito para esses encontros de alto impacto.

Para Milena, a aproximação entre empresas e poder público pode resultar em iniciativas com impacto mais amplo.

Quando a gente junta, faz esses encontros entre o setor público e privado, projetos incríveis acontecem.

Ela também ressaltou a importância de mulheres compreenderem as diferentes perspectivas envolvidas nesse diálogo.

É muito pertinente, especialmente para nós mulheres, que estejamos nesse meio e que possamos entender os dois lados, que certamente unindo as duas partes, poderemos fazer muito mais.

Ao falar sobre o propósito da iniciativa, Milena avaliou que a reunião de mulheres de diferentes áreas pode contribuir para a construção de um legado.

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Estar em meio a essas mulheres inspiradoras, unindo o setor público e privado faz muito sentido, propósito e deixaremos um grande legado.

Esporte também entra no debate sobre liderança feminina

A representatividade feminina no esporte foi outro tema presente no encontro.

Ex-jogadora de futebol, Milene Domingues destacou que ainda existe uma presença reduzida de mulheres esportistas em cargos de decisão.

Eu, como venho do esporte, sei o quanto isso é importante. Mas a gente vê aqui que ainda a representatividade de mulheres esportistas ainda é um pouco baixa. Mas por quê? Por questão cultural.

A ex-atleta também relacionou a discussão à próxima Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil em 2027.

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Para ela, o torneio pode ampliar o protagonismo das mulheres no futebol e contribuir para uma transformação que ultrapasse os resultados dentro de campo.

Milene lembrou ainda que as mulheres já foram proibidas de jogar futebol por lei no Brasil e defendeu que o esporte seja utilizado para ajudar a mudar essa trajetória.

Uma coisa a gente já tá ganhando, que é deixar um legado a todas as mulheres, meninas e um legado social e mudar uma cultura.

Ao final, ela deixou uma mensagem para as novas gerações: “Vamos deixar aí o nosso legado e que muitas meninas e mulheres possam ser o que elas quiserem.”

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Mulheres Inspiradoras atua há mais de dez anos

O encontro faz parte da atuação da plataforma Mulheres Inspiradoras, apresentada como um ecossistema brasileiro voltado à alta liderança feminina.

Há mais de dez anos, a iniciativa conecta presidentes, conselheiras, CEOs, executivas, empresárias, autoridades e lideranças institucionais.

Ao refletir sobre a relevância de integrar uma rede de impacto feminino, Dayanna Rodrigues, fundadora e CEO da Moveon, destaca o caráter transformador dessa experiência em sua trajetória, encarando-a como um ponto de virada para a conscientização sobre o papel da mulher na sociedade.

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Fazer parte do Mulheres Inspiradoras foi um divisor de águas para entender a influência e o impacto que podemos ter ao ocupar nossos espaços de maneira genuína e intencional.

Além da transformação pessoal, ela ressalta o privilégio e a responsabilidade de compartilhar debates profundos ao lado de outras lideranças expressivas

Eu me sinto muito feliz e honrada por fazer parte de um grupo tão seleto, tão exclusivo, com propostas e provocações tão ricas e que de fato fazem a diferença.

A plataforma desenvolve programas de desenvolvimento, experiências executivas, projetos institucionais e iniciativas de impacto.

Também realiza o Prêmio Mulheres Inspiradoras do Ano, o Fórum Mulheres Inspiradoras e o Mulheres Inspiradoras Academy by HSM, desenvolvido em parceria com o Grupo Ânima.