Seca faz Canal do Panamá reduzir número de navios e pode provocar novas restrições nas próximas semanas

Hidrovia, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico, responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial

Atual redução ocorre após o Canal do Panamá enfrentar um cenário semelhante em 2023/Family collection of Infrogmation of New Orleans/Wikimedia Commons

O Canal do Panamá vai reduzir gradualmente o número de navios que atravessam a hidrovia devido à falta de chuvas, que provocou queda no nível dos lagos usados para abastecer a operação. A medida foi anunciada pela Autoridade do Canal do Panamá (ACP) nesta sexta-feira (4/9) e deve diminuir o limite de travessias diárias de 36 para 32 embarcações.

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A hidrovia, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico e responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial, depende da água armazenada nos lagos artificiais de Gatún e Alhajuela para permitir a passagem dos navios pelas eclusas.

Nesta sexta estão previstas 34 travessias. A partir de terça-feira (15/9), porém, o número máximo de embarcações será reduzido para 32 por dia.

A decisão ocorre após as chuvas registradas na bacia hidrográfica do canal ficarem abaixo do esperado. Segundo a ACP, a situação compromete a disponibilidade de água necessária para manter as operações de forma sustentável.

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Seca reduz água disponível no Canal do Panamá

O Canal do Panamá utiliza água da chuva armazenada nos lagos de Gatún e Alhajuela para realizar as operações de passagem dos navios. Os níveis dessas reservas diminuíram por causa da estiagem associada ao fenômeno climático El Niño, que provocou um período de seca na região.

Diante do cenário, a Autoridade do Canal do Panamá já havia adotado medidas para economizar água, entre elas a limitação do calado das embarcações, que corresponde à profundidade que o navio fica submerso.

A partir de 1º de outubro, o calado máximo permitido será de 14,48 metros. Inicialmente, o limite previsto era de 15,24 metros. Na prática, navios com menor calado deslocam uma quantidade menor de água durante a passagem pelo canal.

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A ACP informou que poderá adotar novas restrições nas próximas semanas, dependendo do volume de chuvas registrado na região.

El Niño já afetou tráfego de navios em 2023

A atual redução ocorre após o Canal do Panamá enfrentar um cenário semelhante em 2023, também provocado pelos efeitos do El Niño sobre os níveis dos lagos.

Naquele ano, o número de travessias diárias chegou a cair de 38 para 22 embarcações. A experiência levou a autoridade responsável pela hidrovia a manter medidas de controle do consumo de água sempre que as condições climáticas exigirem.

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O canal é uma das principais rotas do comércio internacional e permite que embarcações evitem uma longa viagem ao redor da América do Sul. Por isso, alterações no número de travessias e nas condições para a passagem dos navios podem afetar a logística e o transporte marítimo internacional.

A expectativa agora é acompanhar o comportamento das chuvas nas próximas semanas. Caso a estiagem persista, a Autoridade do Canal do Panamá poderá ampliar as medidas para preservar o abastecimento de água e garantir a continuidade das operações.