Fazenda de família de bicheiros famosos por ‘Vale o Escrito’ é avaliada em R$ 20 milhões e conta com criação de cavalos

Ligado à criação de cavalos, o haras atravessou disputas familiares e voltou ao noticiário após uma operação policial em 2026. 

Foi no haras da família que Shanna Garcia teve contato com cavalos ainda na infância e começou a praticar montaria e hipismo. (Foto: Reprodução/Marcos Ribolli - GE)

Em uma área rural de Guapimirim, na Baixada Fluminense, uma fazenda da família Garcia reúne boa parte dos elementos que ajudaram a transformar o sobrenome em um dos mais conhecidos do universo do jogo do bicho no Rio de Janeiro. O local tem cavalos, criação de animais, uma história marcada por disputas familiares e uma ligação direta com os personagens retratados em Vale o Escrito.

Continua após a publicidade

A série do Globoplay tornou conhecidos nacionalmente nomes como as irmãs gêmeas Tamara e Shanna Garcia, Maninho e Miro, todos ligados à escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

O patrimônio deixado por Maninho, apelido de Waldemir Paes Garcia, foi estimado pela própria Shanna Garcia em R$ 25 milhões. Desse total, segundo declaração dada por ela em 2019, pelo menos R$ 20 milhões corresponderiam ao Haras Modelo, propriedade onde a família mantinha cavalos de raça e gado de corte.

O valor, porém, precisa ser tratado como uma estimativa e não como uma avaliação atual independente da propriedade.

Continua após a publicidade

O haras de Guapimirim

A fazenda pertence atualmente às irmãs gêmeas Shanna e Tamara Garcia, filhas de Maninho. O local ficou conhecido muito antes de aparecer em reportagens policiais e também foi utilizado como cenário para depoimentos da família no documentário Vale o Escrito, que apresentou ao público histórias relacionadas à cúpula do jogo do bicho carioca.

A relação dos Garcia com os cavalos vem de décadas. Shanna teve contato com os animais ainda na infância justamente no haras da família. Foi ali que começou a desenvolver a prática de montaria e a competir no hipismo.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ciências Sociais também descreve o haras como uma propriedade voltada à criação e ao comércio de equinos. O trabalho cita a existência de bens familiares avaliados em pelo menos R$ 25 milhões e inclui o haras nesse conjunto patrimonial.

Continua após a publicidade

Um patrimônio em disputa

O haras também ocupou um lugar central nas disputas envolvendo a herança de Maninho, morto em 2004. Em entrevista publicada em 2019, Shanna afirmou que o patrimônio do pai estava no centro da guerra familiar e citou a fazenda entre os principais bens.

Naquele período, ela também declarou que havia sido impedida de entrar na propriedade desde 2013. A disputa envolvia ainda imóveis comerciais no Rio de Janeiro e outros ativos atribuídos ao espólio.

Após a morte de Maninho, a administração da fazenda e do haras passou por diferentes pessoas ligadas à família. Um estudo acadêmico sobre a organização econômica do jogo do bicho menciona que o espaço foi administrado por Shanna, nomeada judicialmente como inventariante oficial, e posteriormente contou com a atuação de pessoas próximas ao grupo familiar, como o Bid, nome dado para Alcebíades Paes Garcia, morto em 2020, e Zé Personal, nome de José Luiz de Barros Lopes, morto em 2011.

Continua após a publicidade

O passado do local ganhou ainda uma conexão curiosa com a trajetória de Adriano da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano. Segundo relatos publicados sobre a família, o chefe da organização conhecida como Escritório do Crime trabalhou no haras e atuou na segurança dos Garcia antes de se tornar uma figura conhecida nas investigações sobre grupos criminosos do Rio.

A fazenda em ‘Vale o Escrito’

A propriedade apareceu como um dos espaços relacionados à memória da família Garcia em Vale o Escrito.

Depoimentos de Sabrina Harrouche Garcia, viúva de Maninho, e de Shanna foram gravados na fazenda. O cenário rural contrasta com a imagem tradicionalmente associada ao jogo do bicho e ajuda a mostrar como o patrimônio dos contraventores também se espalhava por imóveis, criação de animais e outras atividades.

Continua após a publicidade

Quando o haras voltou ao noticiário

Em janeiro de 2026, o endereço voltou às manchetes por outro motivo. A Polícia Civil do Rio e o Ministério Público realizaram a Operação Haras do Crime, que investigou um esquema de furto de petróleo da Transpetro.

Segundo as investigações, criminosos utilizavam uma área da fazenda para realizar atividades relacionadas à retirada clandestina de petróleo dos dutos. No local, investigadores encontraram cinco caminhões-tanque, três deles carregados, com aproximadamente 123 mil litros de petróleo bruto. O prejuízo estimado para a Transpetro passa de R$ 6 milhões.

A propriedade estava arrendada quando os crimes investigados ocorreram. As autoridades não expediram mandados contra Shanna ou Tamara, e as informações divulgadas sobre a operação indicaram que os herdeiros não eram os alvos da investigação.