O ano da esperança

A CURA ESTÁ PRÓXIMA. 2021 se inicia com a expectativa da vacinação contra a Covid-19, mas ainda deve ser um ano de desafios em vários temas

China prende mais de 80 suspeitos de vender vacinas falsas; autoridades também apreenderam 3 mil doses do falso antígeno

Gestão Doria promete vacinação em 25 de janeiro, enquanto governo federal prevê início da campanha entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2021 | /NikiLitov

A pandemia do novo coronavírus começou a se alastrar no início de 2020 e causou dificuldades sem comparação para a humanidade nos últimos 100 anos. A doença tirou a vida de 1,7 milhão de pessoas no planeta e de 193 mil só no Brasil. Há, porém, uma esperança que une os povos ao redor do mundo: o início da vacinação contra a doença.

Quase 50 países já iniciaram a imunização de sua população em dezembro, como a União Europeia, Estados Unidos, Costa Rica, Qatar e México, além dos vizinhos Chile e Argentina. No Brasil, há uma data por enquanto: 25 de janeiro, quando o governador João Doria (PSDB) garantiu o início da vacinação no estado de São Paulo com a CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan. O tucano foi criticado, porém, por anunciar a vacinação sem divulgar os dados que mostram a eficácia e a segurança da CoronaVac e sem a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As autoridades paulistas garantem que a vacina tem “excelente perfil de segurança”. “Os dados corroboram o que já sabíamos, que esta é a vacina mais segura das que estão em teste”, afirmou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Por sua vez, o Ministério da Saúde disse que deverá começar a vacinação entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro, mas que precisa que “os fabricantes obtenham o registro junto à Anvisa”. Segundo o plano, o governo federal já garantiu 300 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 por meio de acordos. Até agora, nenhum imunizante está registrado e licenciado pela Anvisa.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), porém, deu afirmações polêmicas sobre o tema nesta semana. A simpatizantes, afirmou que os laboratórios que teriam que procurar o Brasil. “Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles não apresentam documentação na Anvisa?”, indagou Bolsonaro. “Pessoal diz que eu tenho que ir atrás [da vacina]. Quem quer vender [é que tem]”, disse.

No mesmo dia, o presidente escreveu que “tão logo um laboratório apresente seu pedido de uso emergencial, ou registro junto à Anvisa, e esta proceda a sua análise completa e o acolha, a vacina será ofertada a todos e de forma gratuita e não obrigatória”.

Além da vacinação contra a Covid-19, o País terá de enfrentar outros desafios durante 2021. Veja ao lado o que espera os brasileiros, em especial os paulistas, em um ano-novo de esperança, mas que também deve ter muitas dificuldades. (Bruno Hoffmann)