O plano estratégico da China para liderar uma nova revolução industrial com dois milhões de robôs diante do envelhecimento da população

País já tinha 2,02 milhões de robôs industriais em operação em 2024 e amplia automação enquanto população acima de 60 anos chega a 23%

Transmissão ao vivo acompanha robôs trabalhando continuamente há mais de uma semana (Reprodução: YouTube)

Robôs industriais já são usados em larga escala nas fábricas chinesas, que ampliam a automação diante do envelhecimento da população - Reprodução: YouTube

A China está acelerando a automação de sua indústria enquanto enfrenta uma mudança demográfica que reduz a disponibilidade de trabalhadores.

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O país já tinha 2,027 milhões de robôs industriais em operação nas fábricas em 2024, segundo a Federação Internacional de Robótica (IFR), e instalou outros 295 mil naquele ano, o equivalente a 54% de todas as novas instalações no mundo.

A expansão ocorre ao mesmo tempo em que a população chinesa envelhece. Dados oficiais mostram que 23% dos habitantes tinham 60 anos ou mais em 2025, enquanto 15,9% estavam na faixa de 65 anos ou mais.

O avanço da robótica, portanto, tem dois efeitos estratégicos para Pequim: aumentar a produtividade da indústria e preparar o país para um cenário em que haverá proporcionalmente menos pessoas em idade de trabalhar.

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China já concentra mais de 2 milhões de robôs

A China possui o maior estoque de robôs industriais em funcionamento no mundo. De acordo com a IFR, o país encerrou 2024 com 2.027.000 máquinas em operação.

O número praticamente dobrou em apenas três anos. Em 2021, o estoque chinês havia ultrapassado pela primeira vez a marca de 1 milhão de robôs.

Em 2024, foram instalados outros 295.000 robôs industriais no país, alta de 7% em relação ao ano anterior. O volume representou 54% de todas as instalações realizadas no mundo naquele ano.

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A indústria chinesa também vem ampliando a participação de fabricantes nacionais. Em 2024, empresas chinesas responderam por 57% das vendas de robôs industriais no próprio mercado, segundo a IFR.

Produção de robôs continua crescendo em 2026

A expansão não ficou restrita aos números de 2024.

Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China mostram que a produção de robôs industriais cresceu 30,2% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

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O resultado veio acompanhado de crescimento em outros equipamentos ligados à automação. A produção de redutores para robôs, por exemplo, avançou 22,7% no mesmo período.

O movimento mostra que a robótica deixou de ser apenas uma aposta de longo prazo e passou a fazer parte da expansão da indústria de alta tecnologia chinesa.

Envelhecimento aumenta pressão sobre as fábricas

Enquanto a produção de robôs cresce, a população chinesa passa por uma transformação demográfica.

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Segundo os dados oficiais mais recentes, 323,38 milhões de pessoas tinham 60 anos ou mais no fim de 2025, o equivalente a 23% da população.

A parcela entre 16 e 59 anos, considerada a principal faixa da população em idade ativa, correspondia a 60,6% dos habitantes.

A tendência deve se intensificar. Uma estimativa divulgada por autoridades chinesas aponta que, por volta de 2035, o país terá mais de 400 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando mais de 30% da população.

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Para a indústria, o cenário cria pressão para elevar a produtividade sem depender exclusivamente do aumento da força de trabalho.

Mais de 114 milhões trabalham em empresas industriais

A escala da indústria chinesa ajuda a dimensionar o impacto potencial da automação.

O quinto censo econômico nacional da China registrou 114,289 milhões de pessoas empregadas em empresas industriais em 2023.

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O levantamento considera trabalhadores de empresas do setor industrial e não corresponde exatamente ao total de empregados exclusivamente na manufatura.

O mesmo levantamento apontou que a indústria chinesa tinha 4,236 milhões de empresas industriais no fim de 2023.

A automação pode reduzir a necessidade de trabalhadores em determinadas atividades repetitivas, mas também aumenta a procura por profissionais capazes de programar, operar, supervisionar e fazer a manutenção das máquinas.

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Robôs e inteligência artificial entram na mesma estratégia

A próxima etapa da automação chinesa envolve combinar robótica com inteligência artificial.

A ideia é fazer com que as máquinas deixem de executar apenas movimentos previamente programados e passem a interpretar informações do ambiente, identificar objetos e adaptar suas ações a diferentes situações.

A própria estratégia industrial chinesa passou a colocar a robótica e a chamada inteligência incorporada entre as áreas prioritárias do país.

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A Federação Internacional de Robótica afirma que o plano chinês para 2026 a 2030 coloca a robótica no centro da modernização do sistema industrial, com maior integração entre inteligência artificial e máquinas.

China também precisa formar novos profissionais

A expansão da automação aumenta a necessidade de trabalhadores especializados em tecnologia.

O governo chinês estabeleceu uma política para ampliar a formação profissional e prevê treinamento subsidiado de mais de 30 milhões de pessoas até 2027 em áreas que incluem manufatura moderna, economia digital e setores de alta tecnologia.

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A estratégia busca preparar trabalhadores para funções que exigem conhecimentos técnicos mais avançados e, ao mesmo tempo, atender à demanda das empresas por mão de obra qualificada.

Automação pode resolver um problema e criar outro

A substituição de determinadas tarefas por máquinas pode ajudar a indústria a enfrentar a redução da força de trabalho, mas também levanta dúvidas sobre o futuro de milhões de empregos.

Atividades repetitivas e previsíveis estão entre as mais suscetíveis à automação. Por outro lado, a expansão da robótica cria novas funções relacionadas à programação, engenharia, manutenção, análise de dados e desenvolvimento de sistemas.

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O impacto final dependerá da velocidade com que as empresas adotarem as novas tecnologias e da capacidade de treinamento dos trabalhadores.

Disputa com os Estados Unidos

A corrida pela automação também faz parte da competição tecnológica entre China e Estados Unidos.

A China possui uma vantagem na fabricação em escala e na cadeia de fornecedores necessários para construir robôs. Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm forte presença no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e software.

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A combinação dessas duas áreas, máquinas e inteligência artificial, é apontada como uma das próximas fronteiras da indústria.

Para Pequim, a expansão da robótica também representa uma tentativa de manter a competitividade de sua enorme base industrial em um momento de transformação demográfica.

A questão central é se as máquinas conseguirão compensar a redução da força de trabalho sem provocar uma perda significativa de empregos.

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A resposta dependerá não apenas da velocidade da automação, mas também de como a economia chinesa conseguirá absorver os trabalhadores deslocados pelas novas tecnologias.