Niterói, no Rio de Janeiro, ficou em primeiro lugar entre as cidades latino-americanas avaliadas pelo Copenhagenize Index 2025, ranking internacional que analisa as condições oferecidas para o uso da bicicleta nas cidades. No resultado mundial, o município aparece na 43ª posição entre 100 cidades de 44 países, com 45,3 pontos.
A cidade brasileira superou Bogotá, Fortaleza, Guadalajara e Buenos Aires na classificação regional. O resultado não considera apenas a quantidade de ciclovias existentes, mas também fatores ligados à infraestrutura, ao uso da bicicleta e às políticas públicas voltadas ao transporte sobre duas rodas.
Niterói obteve 44,9 pontos no quesito infraestrutura segura e conectada, 38,8 em uso e alcance e 62,7 em políticas e apoio. A combinação dos três indicadores levou o município ao primeiro lugar da América Latina no levantamento.
O que fez Niterói chegar ao primeiro lugar?
O ranking mostra que a estratégia adotada pela cidade vai além da construção de ciclovias.
O Copenhagenize Index divide a avaliação em três grandes áreas: as condições da infraestrutura cicloviária, a presença e o alcance da bicicleta na rotina da população e o conjunto de políticas públicas que dão suporte ao modal.
Em Niterói, esse processo começou a ganhar força em 2013, quando a cidade passou a desenvolver o programa Niterói de Bicicleta.
Naquele período, o município tinha aproximadamente 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Atualmente, a Prefeitura informa cerca de 100 quilômetros, uma extensão aproximadamente cinco vezes maior.
A expansão inclui ciclovias, ciclofaixas e outras estruturas destinadas à circulação de bicicletas, conectando áreas da cidade e pontos de integração com outros meios de transporte.
Estratégia de mobilidade
A política municipal também envolve estruturas que permitem combinar a bicicleta com outros meios de deslocamento.
Um dos exemplos está no Centro de Niterói. O Bicicletário Araribóia, próximo à estação das barcas, tem 850 vagas e oferece estacionamento gratuito para bicicletas.
A localização permite que o equipamento seja utilizado por pessoas que fazem parte do trajeto de bicicleta e seguem viagem pelas barcas em direção ao Rio de Janeiro.
O espaço também possui equipamentos voltados às bicicletas elétricas e serviços de apoio aos ciclistas.
Em 2026, a cidade ampliou a estrutura de integração com a inauguração de um bicicletário público em Charitas, junto à estação do catamarã, com 400 vagas.
NitBike amplia acesso às bicicletas compartilhadas
Outro componente da política de mobilidade é o NitBike, sistema público de bicicletas compartilhadas que começou a funcionar em julho de 2024.
As bicicletas são disponibilizadas gratuitamente aos usuários cadastrados. Em fevereiro de 2026, o sistema havia ultrapassado 2 milhões de viagens, realizadas por aproximadamente 150 mil usuários, com média de cerca de 180 mil deslocamentos por mês.
O sistema continuou sendo ampliado ao longo de 2026. Em julho, por exemplo, foi inaugurada a primeira estação da Região Oceânica, em Piratininga. A expansão prevista para a região inclui estações em Cafubá, Piratininga e Camboinhas.
Atualmente, o próprio sistema NitBike registra mais de 2,6 milhões de viagens com bicicletas adultas e outras 32 mil com bicicletas infantis. O serviço funciona 24 horas por dia.
Uso da bicicleta também aparece nos números
A expansão da infraestrutura é acompanhada pelo aumento da circulação de bicicletas em alguns dos principais corredores da cidade.
Um dos pontos de destaque é a ciclovia da avenida Marquês do Paraná, que passou a registrar milhares de passagens de bicicletas em um único dia.
O corredor faz parte de uma rede que conecta diferentes áreas de Niterói e integra a circulação de bicicletas a regiões de comércio, serviços e transporte coletivo.
Esse tipo de conexão é justamente um dos aspectos considerados pelo Copenhagenize Index ao avaliar a bicicleta não apenas como atividade de lazer, mas como alternativa de deslocamento dentro da cidade.
Niterói superou outras cidades latino-americanas
Com 45,3 pontos, Niterói ficou à frente de Bogotá, que somou 42,7 pontos. Fortaleza apareceu em terceiro lugar na América Latina, com 35,5, seguida por Guadalajara, com 34,9, e Buenos Aires, com 32,9.
No ranking mundial, porém, a cidade brasileira ainda está distante das primeiras colocadas.
A posição de Niterói mostra, portanto, um resultado regional: a cidade não é a líder mundial em mobilidade por bicicleta, mas foi a melhor avaliada entre as cidades latino-americanas incluídas na edição de 2025.
