Em fevereiro de 2021, Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morreu após ser atingida por um disparo de fuzil enquanto brincava na porta de sua casa na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). O autor do disparo, o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele realizava patrulhamento na região.
De acordo com a acusação do Ministério Público, o agente efetuou disparos em direção a uma área residencial e de lazer, assumindo o risco de matar, mesmo após alertas de moradores sobre a presença de civis no local.
Tramitação judicial e recursos de defesa
O policial militar chegou a ser preso preventivamente após o caso, mas passou a responder em liberdade sob medidas cautelares a partir de novembro de 2021. Posterior à denúncia, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o réu fosse levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Durante o andamento do processo, a defesa técnica do acusado recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de reverter a decisão de submetê-lo ao júri popular. Entre os advogados que assinaram a peça recursal esteve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido foi negado pelo tribunal superior, mantendo a decisão pelo julgamento popular, que ainda aguarda a marcação da data para ocorrer.
Caso Ana Clara é citado no debate da Band
O caso voltou a ganhar repercussão na noite desse domingo (18/10) após o presidente Lula (PT) perguntar a Flávio Bolsonaro por que ele defendeu o assassino de uma menina de 5 anos de idade. O candidato do PL não respondeu e não mencionou o assunto ao longo da noite.
Ao mesmo tempo, a campanha de Lula disparou nas redes sociais um vídeo entrevistando a mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, que relembrou as características de afeto da filha e criticou Flávio Bolsonaro.
“Saber que uma pessoa que concorre à presidência está defendendo um monstro, porque para mim ele é um monstro, é surreal. É assustador” afirmou a mãe, com lágrima nos olhos, utilizando uma camiseta com a foto de Ana e pedido de justiça.
A peça divulgada por Lula no Instagram tinha cerca de 16 milhões de visualizações em menos de 24 horas e mais de um milhão e meio de comentários.
