‘Pesquisa vazada’ das campanhas: prints de pesquisas eleitorais agitam disputa entre Lula e Flávio; entenda o que é tracking

Resultados atribuídos aos bastidores das campanhas circulam sem dados que permitam verificar sua origem. Entenda como funciona esse tipo de levantamento e o que a Justiça Eleitoral exige.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem juntos em debate político. (Foto: Divulgação)

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem juntos no último debate político ocorrido na Band. (Foto: Divulgação)

Publicações nas redes exibem percentuais de intenção de voto e afirmam que os números vieram dos bastidores das campanhas. No segundo turno presidencial de 2026, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), esses prints despertam curiosidade, mas não revelam, por si só, quem está na frente.

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Chamados de “trackings vazados”, os números podem vir de levantamentos internos. Porém, sem o nome do instituto, a metodologia, o período de coleta e o tamanho da amostra, ninguém consegue confirmar se a pesquisa existiu ou se alguém alterou os dados. O rótulo de “vazamento” não comprova a autenticidade dos resultados.

As campanhas usam trackings para acompanhar tendências do eleitorado e orientar decisões. Esses levantamentos podem ajudar a definir temas para a propaganda ou avaliar como a equipe percebe o desempenho de um candidato em debates.

O que é tracking eleitoral

A palavra tracking significa acompanhamento. Na política, o termo costuma descrever pesquisas internas que ajudam as campanhas a observar mudanças na percepção dos eleitores ao longo da disputa.

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Por terem finalidade interna, esses estudos podem circular com informações diferentes das pesquisas preparadas para divulgação pública. Ainda assim, um print sem dados de origem não permite avaliar a qualidade do levantamento nem confirmar se alguém reproduziu os números corretamente.

Além disso, os resultados de trackings podem divergir das pesquisas registradas na Justiça Eleitoral. As datas, as amostras e os métodos variam entre os levantamentos. Sem esses detalhes, não há base para tratar um print como retrato confiável da eleição.

Quando uma pesquisa precisa ser registrada

Quando institutos realizam pesquisas sobre eleições ou candidatos para conhecimento público, a legislação exige registro prévio. O cadastro deve ocorrer até cinco dias antes da divulgação, conforme o artigo 33 da Lei das Eleições.

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O registro informa quem contratou o estudo, quando a equipe coletou os dados, qual metodologia aplicou, como definiu o plano amostral e qual margem de erro adotou. O público pode consultar as pesquisas cadastradas na página de pesquisas eleitorais do TSE.

Chamar um conteúdo de tracking interno não encerra a discussão legal. A Justiça Eleitoral avalia como os responsáveis produziram e divulgaram os dados, inclusive se direcionaram a pesquisa ao conhecimento público. A divulgação de uma pesquisa sem registro pode levar à aplicação de multa.

Como conferir os números

Antes de compartilhar um suposto levantamento, procure o nome do instituto, a data da coleta, o tamanho da amostra e a metodologia. Se a publicação se apresenta como pesquisa eleitoral pública, confira também se o TSE registrou o estudo.

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A ausência dessas informações não prova automaticamente que os percentuais são falsos. No entanto, impede confirmar a origem dos dados e avaliar sua qualidade. Mesmo uma pesquisa registrada mede a intenção de voto no período em que a equipe realizou as entrevistas; ela não antecipa o resultado das urnas.