O que mudou? Testemunhas de Jeová alteram regra sobre uso de sangue

A partir de agora, cada fiel poderá decidir individualmente, de acordo com a própria consciência

A medida também prevê a iluminação de prédios públicos na cor vermelha durante o período de mobilização.

Em comunicado, o porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, Paul Gillies, afirmou que o sangue continua sendo considerado sagrado pela organização/Marcelo Camargo/Agência Brasil

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança nas orientações sobre o uso de sangue em tratamentos médicos. A partir de agora, cada fiel poderá decidir individualmente, de acordo com a própria consciência, se aceita receber ou doar componentes do sangue para fins terapêuticos. A proibição de transfusões de sangue total, porém, continua em vigor.

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A alteração foi divulgada na última sexta-feira (18/9) e representa uma revisão parcial de uma das orientações mais conhecidas da religião, historicamente contrária às transfusões de sangue.

Segundo a nova diretriz, a decisão passa a valer para os quatro principais componentes do sangue: plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. A escolha sobre o uso desses elementos deixa de ser uma regra uniforme e passa a ser uma decisão pessoal de cada integrante da religião.

Em comunicado, o porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, Paul Gillies, afirmou que o sangue continua sendo considerado sagrado pela organização.

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“Reconhecemos que as decisões médicas envolvendo componentes do sangue são uma questão de consciência entre cada Testemunha de Jeová e seu Deus”, declarou.

O que muda para os fiéis

Na prática, os seguidores da religião poderão decidir se aceitam tratamentos que utilizam componentes do sangue de doadores e também se desejam doar sangue para que essas substâncias sejam empregadas no tratamento de outras pessoas.

A organização continua, no entanto, se opondo à doação destinada a transfusões de sangue total.

Os componentes envolvidos na nova orientação têm diferentes aplicações médicas. O plasma pode ser usado em casos de trauma e algumas doenças; os glóbulos vermelhos são empregados, por exemplo, no tratamento da anemia; as plaquetas podem ser utilizadas em terapias contra o câncer; e os glóbulos brancos ajudam no combate a determinadas infecções.

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As Testemunhas de Jeová mantêm o entendimento de que a proibição do sangue total está baseada em passagens bíblicas que orientam os fiéis a se “abster de sangue”.

Segunda mudança nas regras em 2026

Esta é a segunda alteração anunciada pela organização neste ano. Em março, as Testemunhas de Jeová passaram a permitir que cada fiel decidisse individualmente sobre a coleta, o armazenamento e o uso do próprio sangue em procedimentos médicos.

A mudança abriu espaço para técnicas utilizadas em cirurgias programadas, nas quais o paciente doa previamente o próprio sangue para uso posterior, sem a participação de doadores externos.

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A recusa ao sangue total está ligada à interpretação de textos do Antigo e do Novo Testamento, que associam o sangue à vida e o consideram sagrado. Entre os trechos citados pela organização estão passagens dos livros de Gênesis, Levítico e Atos dos Apóstolos.

As Testemunhas de Jeová reúnem cerca de 9 milhões de seguidores em todo o mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil, segundo dados divulgados pela própria organização.