O futuro do Clube Banespa continua incerto, mas há indicações do que deve acontecer na área verde na zona sul de São Paulo. O local é objeto de disputa entre associados, banco multinacional e prefeitura da cidade.
Atualmente, há três destinos prováveis para o Esporte Clube Banespa (EBC), como é oficialmente conhecido:
- Devolução do terreno para o Banco Santander, que deverá destinar pelo menos parte do espaço ao mercado imobiliário. A empresa diz que estuda “uma destinação ao terreno que contemple uma finalidade social”;
- O tombamento dos edifícios, que obrigará o proprietário a manter o espaço com as mesmas características – o que inviabilizaria a destinação imobiliária e;
- A criação de um parque municipal.
Entenda a disputa
Oficialmente chamada de Esporte Clube Banespa (ECB), a área foi alvo de uma ação judicial do banco Santander, que queria reaver o terreno de 60 mil metros quadrados, avaliado em R$ 1 bilhão.
Em 1979, o clube e o Banespa assinaram acordo de uso gratuito do imóvel, com a condição de devolução no mesmo estado ao fim do prazo, estipulado para o fim de 2025. Com a compra do Banespa pelo Santander, a cessão foi prorrogada até 2030.
Em março de 2024, uma decisão judicial da 14ª Vara do Foro Regional de Santo Amaro concedeu a reintegração de posse e o encerramento imediato das atividades do clube citando falta de manutenção e “insegurança aos frequentadores”.
A defesa do clube conseguiu suspender a liminar. A ação segue em trâmite na Justiça.
Patrimônio histórico
Nelson de Souza, vice-presidente do ECB, alegou à Afubesp, portal de ex-funcionários do Banespa que o período da pandemia foi difícil para o clube, mas que já investiu R$ 8 milhões em reformas e reparos no local.
Além da linha jurídica, os sócios alegam que o prédio principal tem a assinatura do arquiteto Eduardo Corona, ex-sócio de Oscar Niemeyer. Com isso, a ideia é que o clube seja tombado como patrimônio histórico e arquitetônico. Já existe pedido junto ao Iphan.
Outra possibilidade que está em andamento em favor do clube é o tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Compresp). Neste caso, não haveria transferência de propriedade, mas o banco seria obrigado a manter a preservação das instalações originais.
“Nossa luta em preservar o clube vai além de uma luta pela manutenção do esporte. Somos um braço da luta pelos valores humanos, por melhor qualidade de vida a nossas famílias brasileiras”, disse Souza.
Parque Banespa
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) se antecipou e sancionou em julho do ano passado a criação do Parque do Banespa, além do Parque do Bexiga, após aprovação na Câmara Municipal.
A intenção é a de comprar o terreno do Santander e criar um parque totalmente público no local.
Na Câmara, a proposta foi apresentada pelo vereador Rodrigo Goulart (PSD), que afirmou ser importante preservar a área verde do terreno, além das atividades esportivas.
A unidade oferece, atualmente, aulas de esportes como natação, basquete, tênis, futsal e judô, e foi uma potência no futsal e no vôlei quando o Banespa estava na ativa.
Contatada, a gestão Nunes, por meio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, informou que mantém estudos técnicos para viabilizar a implantação do Parque Banespa. Já o Santander preferiu não se manifestar.
A reportagem também tentou conversar com a direção do EBC, mas não conseguiu contato.





