O Governo de São Paulo assinou o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Túnel Santos–Guarujá, que será o primeiro túnel submerso do Brasil.
O contrato foi firmado nesta quarta-feira (28/1), no Palácio dos Bandeirantes, com o grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado na B3 em setembro de 2025.
O túnel submerso terá 870 metros de comprimento e ficará a 21 metros de profundidade. A estrutura será formada por blocos pré-moldados, que correspondem aos módulos de concreto, colocados em uma área escavada no canal do estuário.
O investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, dos quais até R$ 5,1 bilhões serão aportes públicos divididos entre os governos estadual e federal. O contrato de 30 anos abrangerá construção, operação e manutenção.A obra será realizada para preservar a operação do Porto de Santos e garantir a passagem de embarcações.
As obras também devem gerar aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e operação.
Como será o túnel
O projeto é uma demanda antiga da população e vai reduzir o tempo de deslocamento entre as duas áreas urbanas.
Atualmente, a travessia entre Santos e Guarujá leva em média 18 minutos de balsa, sujeita a longas filas, ou até uma hora de carro pela estrada.
Mais de 21 mil veículos cruzam diariamente as duas margens utilizando barcos de pequeno porte (catraias) e as balsas, além de 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres. Túnel ligará Outeirinhos e Macuco, em Santos, ao bairro Vicente de Carvalho, em Guarujá.
Tempo de travessia
Atualmente, a travessia entre Santos e Guarujá leva em média 18 minutos de balsa, sujeita a longas filas, ou até uma hora de carro pela estrada.
Com o túnel, o percurso poderá ser feito em apenas cinco minutos, beneficiando moradores e trabalhadores da região, cerca de 2 milhões.
Próximos passos
O túnel terá espaço para ciclistas e pedestres, localizado entre as seis faixas, sendo três por sentido, com uma adaptável ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Confira todas as etapas que fazem parte da construção do projeto.
Após a assinatura do contrato, a construção do Túnel Santos–Guarujá entra em uma nova fase, marcada pela definição do cronograma que vai conduzir a implantação do primeiro túnel imerso do Brasil.
O projeto já conta com licença ambiental, que considerou impactos sobre áreas como manguezais, fauna, flora, ruídos e desapropriações, e estabeleceu condições que deverão ser cumpridas no próximo estágio de licenciamento, e foi emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
A partir da assinatura do contrato, o próximo passo será a definição da área que receberá a doca para montagem dos módulos de concreto. A fabricação dos módulos deve começar em 2027, com instalação a partir de 2030 e operação completa prevista para 2031.
Obras
Ainda em 2026, está prevista a mobilização inicial, com a instalação do canteiro de obras, definição da doca seca onde serão fabricados os módulos de concreto e a execução de desapropriações em áreas de Santos e Guarujá. Também estão previstas intervenções no canal do porto para a retirada de interferências.
O cronograma estabelece que, a partir de 2027, terá início a produção dos módulos de concreto em diques secos. Essas estruturas serão posteriormente transportadas e submersas para montagem no fundo do canal.
A fase de imersão e encaixe dos módulos, considerada uma das mais complexas do projeto, está programada para ocorrer a partir de 2030, juntamente com a construção das vias de acesso.
A conclusão das obras e o início da operação estão previstos para 2031. O investimento total estimado é de cerca de R$ 7 bilhões. O túnel terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão e deve reduzir o tempo de travessia entre os dois municípios de cerca de uma hora para menos de cinco minutos.
O projeto prevê três faixas de rolamento por sentido, além de ciclovia e passagem para pedestres, com possibilidade de futura implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Todas as etapas da obra serão acompanhadas por uma comissão externa da Câmara dos Deputados, criada em 2025 para fiscalizar o empreendimento.
