Outubro Rosa chama atenção para protocolo que orienta médicos a comunicar suspeitas de câncer de mama e explica por que resultado alterado nem sempre significa diagnóstico confirmado

Método criado por pesquisadores da USP ajuda profissionais a explicar alterações nas imagens e orientar as próximas etapas da investigação clínica

Com a pandemia da Covid-19, houve uma queda significativa na quantidade de mamografias feitas neste ano

A comparação entre exames realizados em diferentes períodos pode ajudar a identificar mudanças no tecido mamário e acompanhar a evolução de alterações. Foto: Reprodução/Freepik

Durante o Outubro Rosa, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) destacam a importância de comunicar resultados suspeitos em exames de mama com clareza.

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O protocolo Radnews orienta profissionais de saúde nessa tarefa, que exige informações compreensíveis para pacientes durante a investigação de possíveis alterações.

Como funciona o protocolo Radnews

O Radnews foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InRad-HCFMUSP). O material busca ajudar radiologistas a explicar os resultados dos exames e indicar quando uma alteração precisa de investigação adicional.

A proposta foi apresentada em um artigo científico publicado na revista RadioGraphics, da Radiological Society of North America (RSNA). O estudo está disponível neste link para a publicação científica.

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A médica radiologista Natália Ceccaroni Orthmann explica que a comunicação exige atenção, principalmente quando o exame aponta uma alteração que precisa ser investigada.

“Quando a paciente vem até nós para fazer os exames, a nossa intenção é entender o que está acontecendo naquele contexto e enunciar do melhor jeito possível, trazendo tanto os achados benignos e os suspeitos. Quando a gente chega nesse momento dos suspeitos, é a hora que a gente tem um pouquinho mais de dificuldade.”

Resultado suspeito não confirma câncer

Um dos pontos centrais do Outubro Rosa é ampliar o acesso à informação sobre a prevenção e a investigação do câncer de mama. Nesse processo, é importante diferenciar um achado suspeito de um diagnóstico confirmado.

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Segundo Natália, alterações encontradas nos exames podem ter diferentes causas. Algumas são benignas, enquanto outras exigem avaliação complementar para esclarecer sua natureza.

“A gente criou pensando na facilitação do radiologista para a comunicação de uma notícia difícil, que é um achado suspeito, porque nem sempre tudo que a gente acha na mama é um câncer.”

A médica também explica que algumas alterações podem exigir acompanhamento ou procedimentos adicionais.

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“Muitas vezes são lesões benignas ou com alguma coisinha diferente, que é a atipia, e, a partir dali, às vezes é necessária uma investigação. Mas todo paciente fica ansioso para saber.”

Por que a comunicação exige cuidados

O radiologista participa de uma etapa específica do atendimento. Em muitos casos, o médico que solicitou o exame é responsável por explicar os próximos passos da investigação e acompanhar a paciente.

Natália cita o protocolo Spikes, utilizado na comunicação de notícias difíceis na área da saúde. Entretanto, o contato entre radiologista e paciente costuma ocorrer em circunstâncias diferentes da relação construída durante um acompanhamento médico prolongado.

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Por isso, o Radnews procura oferecer orientações adaptadas à realidade dos exames de imagem. A proposta também considera diferenças entre os sistemas de saúde e busca permitir o uso do material em diferentes países.

Exames complementares ajudam a esclarecer alterações

A mamografia é um dos principais exames utilizados na investigação do câncer de mama. Conforme o resultado e a avaliação médica, a paciente pode precisar de ultrassonografia, ressonância magnética ou biópsia.

A biópsia permite retirar uma amostra de tecido para análise. O resultado ajuda a confirmar ou descartar a suspeita, conforme a avaliação do material coletado.

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O histórico de exames também tem importância no acompanhamento. A comparação entre imagens de diferentes períodos pode ajudar os profissionais a identificar mudanças e avaliar a evolução de determinadas alterações.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no período de 2026 a 2028. Os dados reforçam a importância da informação e do acesso à investigação adequada.

Durante o Outubro Rosa, conhecer as etapas do diagnóstico ajuda a compreender por que um resultado suspeito nem sempre representa a confirmação da doença.