PMs acusados de matar jovem rendido em Paraisópolis são absolvidos pelo júri

Julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, teve início na terça-feira (28/7)

Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima respondiam pela morte de Igor, ocorrida em 10 de julho de 2025/Reprodução

Dois policiais militares acusados de matar o jovem Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (30/7). O julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, teve início na terça-feira (28/7).

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Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima respondiam pela morte de Igor, ocorrida em 10 de julho de 2025. Após reconhecerem a materialidade e a autoria do crime, os sete jurados acolheram o quesito de absolvição, resultando na absolvição dos dois réus. Com a decisão, a Justiça determinou a expedição de alvará de soltura para ambos, que estavam presos no Presídio Militar Romão Gomes.

Defesa da família recorrerá da decisão

Os advogados da família de Igor informaram que irão recorrer da sentença. Em nota, afirmaram entender que a decisão foi “manifestamente contrária às provas produzidas nos autos” e defenderam a realização de um novo julgamento pelo Tribunal do Júri.

Outros dois policiais envolvidos na ocorrência, Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também respondem pelo caso, apontados como colaboradores dos executores. O processo deles foi desmembrado e ainda não há data definida para o julgamento.

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Segundo a investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Igor foi morto durante uma ação da Rocam do 16º Batalhão da Polícia Militar, em Paraisópolis.

Imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais mostraram que o jovem estava desarmado e rendido no momento dos disparos. Nas gravações, Igor aparece com as mãos sobre a cabeça, deita no chão após ordem dos agentes e, ao se levantar seguindo nova determinação, é atingido por tiros disparados pelos dois policiais.

As imagens também indicam que os demais suspeitos abordados estavam rendidos e que nenhuma arma aparece sendo apreendida durante a ação. Após os disparos, os policiais são ouvidos afirmando que a vítima estaria armada, embora o vídeo não registre a existência de qualquer armamento no local.

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À época, a Polícia Militar informou que a equipe fazia patrulhamento para combater o tráfico de drogas na comunidade e alegou que suspeitos armados haviam fugido para uma residência antes da abordagem. O Ministério Público denunciou os quatro policiais por homicídio, e a Justiça aceitou a denúncia, tornando-os réus no caso.