População aprova comércios sob viadutos

NA ZONA OESTE. Projeto de concessão de espaço abaixo de viadutos é visto com bons olhos por entrevistados pela Gazeta

Ponte avenida Pompeia

Ponte avenida Pompeia | /Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo anunciou que quer transferir no segundo semestre as áreas abaixo dos viadutos Lapa, Pompeia e Antártica, na zona oeste, para a iniciativa privada. Todas os espaços deverão receber comércio, limpeza fixa, câmeras e banheiros. O permissionário também deve realizar atividades abertas à população. Haverá uma espécie de leilão para escolher a empresa que terá direito de usar os espaços.

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Os valores pagos mensalmente pelo permissionários deverão ser diferentes em cada viaduto. O valor é de R$ 7 mil no Pompeia, R$ 13 mil no da Lapa e R$ 19 mil no Antártica. Até 80% desse valor deve ser revertido para realização de atividades culturais, esportivas e de lazer à população.

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A reportagem da Gazeta esteve nos três viadutos que a prefeitura pretende conceder o espaço para a iniciativa privada. As visitas foram realizadas em dias de semana.

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O viaduto da Lapa fica ao lado do Terminal Lapa e do Mercado Municipal da Lapa e próximo a duas estações da CPTM, com grande movimentação diária de pessoas. De acordo com José Trindade Celis, de 72 anos e que mora próximo ao viaduto, a novidade é considerada ótima.

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“Eu defendo radicalmente [a concessão dos espaços]. Há um espaço enorme abaixo do viaduto, Lapa de Baixo, que pode ser usada como uma área de convivência para idosos. O bairro tem muitos idosos, e se pode criar um lugar para eles jogarem dominó, aprenderem dança, fazerem esportes”, diz José, que trabalha como relações públicas.

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Por sua vez, Luiz Rodolfo Dalmas, que trabalha em um box do Mercado da Lapa há 24 anos, também acha importante a revitalização, mas teme pelo fim do estacionamento do mercado, que fica exatamente abaixo do viaduto. “Eu sou a favor da revitalização. A minha preocupação é justamente desocupar essa parte de estacionamento para fazer outra coisa e o cliente do mercado não ter um espaço para parar o carro. Este é um estacionamento administrado pela associação do mercado e é relativamente barato [R$ 5 a hora para clientes]”.

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OUTROS VIADUTOS.

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A área em volta do viaduto Antártica também é bem movimentado. A estrutura está próxima da avenida Sumaré, do Shopping West Plaza e do Parque da Água Branca, além de ser caminho dos torcedores do Palmeiras que descem na estação Palmeiras-Barra Funda do Metrô e da CPTM e vão ao Allianz Parque. Há também shows musicais no estádio.

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O comunicador Ciro Torrente, morador de Perdizes, acredita que a ideia, inicialmente, é boa. “Passo quase todo dia por baixo do viaduto Antártica para ir ao metrô [Palmeiras-Barra Funda]. O lugar é feio e descuidado. Qualquer ideia para melhorar o cenário é bem-vinda”, explica, em entrevista dada quando foi anunciado o projeto.

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O que tem menos circulação de pessoas é o viaduto Pompeia, apesar de estar próximo a importantes instituições e pontos comerciais, como o Shopping Bourbon, o Allianz Parque e a avenida Pompeia. Do outro lado do viaduto há uma unidade do Playball (campos de futebol society) e do bairro planejado Jardins das Perdizes. A parte de baixo do viaduto, porém, não costuma ser caminho à pé para nenhum desses pontos do bairro

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O projeto paulistano é inspirado em outro lançado em setembro do ano passado em Buenos Aires, capital da Argentina, aprovado por 41 votos a favor, 17 contrários e uma abstenção.

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No caso portenho, a intenção inicial é a de transformar as áreas sobre a autopista 25 de Mayo, que atravessa boa parte da área urbana da cidade – e é comparada a uma “cicatriz” pelos argentinos – em uma região com lojas, restaurantes, áreas de atividades ao ar livre e banheiros públicos.

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Setenta e cinco lotes devem ser entregues à iniciativa privada. Quem ganhar a licitação terá a obrigação de construir e manter esses bens à população. Esses locais, hoje, são conhecidos por serem inseguros, pouco movimentados e com serventia apenas a estacionamentos de quem trabalha às fábricas em volta. (Bruno Hoffmann)