O Instituto Butantan começa na próxima semana a entregar as primeiras doses da vacina contra a dengue ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), informou o governo de São Paulo nesta sexta-feira (19).
Batizado de Butantan-DV, o imunizante é o primeiro do mundo em dose única contra a doença e teve o contrato assinado hoje com o Ministério da Saúde.
Nesta etapa inicial, serão distribuídas 300 mil doses de um total de 1,3 milhão previsto. A expectativa é que cerca de 1 milhão de doses sejam entregues até o fim de janeiro de 2026.
Vacinação começa por profissionais do SUS
As primeiras doses serão destinadas prioritariamente a profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam na linha de frente do SUS. Estão incluídos agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares.
A vacina foi aprovada pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos. Nos estudos clínicos, apresentou 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra casos graves e com sinais de alarme e 100% de proteção contra hospitalizações por dengue.
O Ministério da Saúde também vai adotar uma estratégia de avaliação do impacto populacional do imunizante. Para isso, será realizada uma campanha acelerada em dois municípios-piloto: Botucatu (SP) e Maranguape (CE), com possibilidade de inclusão de Nova Lima (MG). Nessas cidades, o público-alvo será de 15 a 59 anos.
Investimentos e ampliação da produção
O desenvolvimento da Butantan-DV contou com R$ 130 milhões em investimentos do BNDES, além de aportes contínuos do Ministério da Saúde. Para ampliar a capacidade produtiva, o Instituto Butantan firmou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi, com foco no aumento da oferta a partir do segundo semestre de 2026.
Dentro do Novo PAC Saúde, estão previstos R$ 1,2 bilhão para a expansão da infraestrutura do Butantan, incluindo a produção da vacina contra a dengue.
Atualmente, o SUS já oferece outra vacina contra a dengue, de um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos, aplicada em duas doses. Desde a incorporação, em 2024, 7,4 milhões de doses já foram aplicadas no país.
