A decisão do Colégio Santa Dorotéia, em Belo Horizonte (MG), de manter as aulas após a morte da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim provocou críticas do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas). A entidade publicou uma nota de repúdio à instituição nesta quarta-feira (21), questionando a condução da rotina escolar diante do falecimento da docente.
Michelle morreu na segunda-feira (19), a caminho do hospital, após passar mal nas dependências da escola. As atividades escolares foram mantidas tanto no dia da morte quanto na terça-feira (20), quando ocorreu o velório da professora.
Segundo a presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, a manifestação foi motivada por relatos de professores que se sentiram desrespeitados pela forma como a instituição conduziu a situação. A dirigente afirmou que colegas de Michelle organizaram um rodízio para participar da despedida, mas precisaram retornar à escola para assumir as salas de aula, mesmo abalados com a perda.
Em entrevista, Valéria defendeu que o sindicato tem o papel de denunciar situações que considera inadequadas e afirmou que a entidade pretende prestar homenagens à professora, conforme a vontade da família.
O que diz o Colégio Santa Dorotéia
Em nota a imprensa , o Colégio Santa Dorotéia contestou as críticas e afirmou que o episódio foi transformado em uma condenação pública baseada em informações que considera distorcidas e inverídicas.
A instituição justificou a manutenção das atividades escolares pela necessidade de atender mais de 3,2 mil estudantes e às famílias que dependem do funcionamento da escola para organizar a rotina e garantir um local seguro para os filhos durante o período de aulas.
O colégio também argumentou que a decisão administrativa de manter as atividades não significa indiferença à morte da professora nem representa, por si só, desrespeito à dignidade humana. A diretoria criticou o que classificou como uma tentativa de desqualificar suas práticas e provocar revolta pública.
A direção afirmou ainda que a comunidade escolar está de luto e manifestou solidariedade à família, aos estudantes, aos amigos e aos colegas de Michelle.
Procurada para esclarecer se os professores foram liberados para comparecer ao velório e como a rotina escolar foi organizada após a morte, a direção não respondeu às perguntas específicas. A coordenação de comunicação confirmou, porém, que as aulas foram mantidas nos dois dias.
Quem era a professora que morreu em BH
Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim trabalhava no Colégio Santa Dorotéia desde 2016, onde lecionava a disciplina de Formação Humana e Cristã. Ela também atuava como assessora de Pastoral junto aos grupos de juventude da instituição. Foi descrita pela própria escola como alguém de “sorriso acolhedor, bondade e intensa dedicação”.
Após a repercussão do caso, professores, colegas, pais e alunos manifestaram opiniões nas redes sociais. “Obrigada por falar o que nós, alunos, sentimos hoje! Sou aluna do 1° ano, fui aluna da professora Michele no sexto ano e, desde então, nunca deixei de conversar e encontrar com ela nos corredores. Ontem ainda, dei um abraço nela e ela estava sorridente como sempre. Hoje, ter aula NORMAL foi um dia pessimo para alunos, funcionários e professores. Uma falta de respeito com ela e com todos nós. Sinto muitíssimo pelo ocorrido e falta de noção da escola. Estudo no Colégio há 11 anos e isso nunca havia acontecido. Um grande absurdo! Atitude desumana!”, afirmou uma aluna da instituição.






