Da Lava Jato à defesa de Deolane: quem é Aury Lopes Jr que assumiu o caso da influenciadora

Conhecido por livros que ditam regras nos tribunais e duras críticas às prisões preventivas, Aury Lopes Jr. entra no processo para tentar reverter a prisão de Deolane.

O caso envolvendo a prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ganhou um novo e pesado componente. A influenciadora digital contratou para comandar sua banca de defesa o criminalista e professor Aury Lopes Jr, um dos nomes mais citados e influentes do direito processual penal brasileiro. 

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A movimentação muda a estratégia jurídica em torno das acusações de lavagem de dinheiro, trazendo para o centro do debate um especialista histórico no combate ao uso indiscriminado de prisões preventivas no país.

Aury Lopes Jr. construiu sua reputação nacional na academia e nos grandes tribunais. Professor titular da pós-graduação em Ciências Criminais da PUC-RS desde 2000, ele é autor de manuais que servem de base para concursos públicos e decisões de magistrados, como a obra de cabeceira “Direito Processual Penal”. 

Durante o auge da Operação Lava Jato, o advogado despontou como uma das vozes mais contundentes contra os excessos processuais das forças-tarefas de Curitiba, consolidando sua atuação na defesa contenciosa de alta complexidade.

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O desafio técnico no caso Deolane

A entrada de um jurista de perfil acadêmico busca neutralizar as premissas construídas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Deolane foi presa após retornar de uma viagem de mais de 20 dias a Roma, na Itália, onde vinha sendo monitorada de perto pelas autoridades brasileiras com o suporte da Interpol.

O foco da equipe de Aury Lopes Jr. deve se concentrar em desidratar as acusações de ocultação de bens, sob o argumento de que os valores movimentados pela influenciadora correspondem a honorários advocatícios legítimos da época em que ela exercia ativamente a advocacia criminal.

Estrutura multidisciplinar contra o fisco

Para enfrentar processos que envolvem crimes financeiros de grande repercussão, o escritório do criminalista adota um modelo híbrido de atuação. A defesa trabalha em conjunto com peritos forenses e analistas de mercado para tentar justificar as transações apontadas pelas auditorias estatais, que mapearam movimentações na ordem de R$ 13,6 milhões em contas pessoais da influenciadora e outros R$ 14 milhões por meio de suas empresas.