Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil prendeu, na manhã desta quinta-feira (21/5), a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra durante investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A operação também teve como alvo Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que já está preso. Familiares dele também foram incluídos na ação.
Entre os presos está Everton de Souza, conhecido como Player, apontado pelos investigadores como operador financeiro da organização criminosa.
A Operação Vérnix ainda mira Alejandro Camacho, além dos sobrinhos de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Segundo a investigação, o esquema de lavagem de dinheiro envolve uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, que seria utilizada pela cúpula da facção criminosa para movimentação de recursos.
Deolane retornou ao Brasil na quarta-feira (20/5), após passar semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a constar na lista da Difusão Vermelha da Interpol.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência da influenciadora, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela.
O influenciador Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação de Deolane, e um contador também são alvos de busca e apreensão.
De acordo com os investigadores, mensagens interceptadas mostram Everton de Souza orientando a distribuição de recursos da transportadora ligada à família de Marcola e indicando contas bancárias para envio dos valores.
A polícia informou ainda que dois investigados estão fora do país. Paloma Sanches Herbas Camacho estaria na Espanha, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria na Bolívia.
Marcola e Alejandro Camacho estão detidos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre as novas ordens de prisão preventiva.
A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados.
Investigação começou em 2019
Segundo o Ministério Público, a investigação teve início em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com dois detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
A partir do material recolhido, foram abertos três inquéritos policiais. O primeiro identificou ordens internas da facção, contatos entre integrantes da organização e referências a possíveis ataques contra servidores públicos.
Durante a análise do material, investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado informações sobre agentes públicos.
A partir disso, foi aberta uma nova investigação para identificar a relação entre a transportadora e a organização criminosa. As apurações levaram a uma empresa de Presidente Venceslau, apontada como empresa de fachada para lavagem de dinheiro
A investigação originou a Operação Lado a Lado, realizada em 2021, que identificou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem comprovação econômica.
Segundo o MP, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos trouxe novas informações sobre o funcionamento do esquema e abriu uma frente de investigação envolvendo repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital.
As apurações indicam que Ciro Cesar Lemos atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos e administração de patrimônio ligado à cúpula do PCC.
Ainda conforme a investigação, imagens de depósitos destinados às contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza foram encontradas no celular apreendido. Ciro Cesar Lemos é considerado foragido, assim como a disposição dele.
Os investigadores afirmam que recursos provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, Alejandro Camacho e familiares. Para as transações, teriam sido utilizadas contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra.
A investigação aponta ainda que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos responsáveis pela gestão da transportadora.
Bloqueio de bens e movimentações financeiras
Segundo os investigadores, foram identificadas empresas, movimentações financeiras e aquisição de bens de alto valor ligados à influenciadora.
A Justiça entendeu que havia indícios de lavagem de dinheiro, risco de ocultação de patrimônio e possibilidade de interferência nas investigações.
O inquérito aponta que Deolane Bezerra recebeu R$ 1,06 milhão em depósitos fracionados entre 2018 e 2021.
Segundo a polícia, os valores foram realizados em operações abaixo de R$ 10 mil. A investigação também identificou cerca de 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, somando R$ 716 mil.
Os repasses teriam sido feitos por uma empresa apresentada como instituição de crédito. Segundo os investigadores, não foram encontrados pagamentos relacionados aos supostos empréstimos, nem registros de prestação de serviços advocatícios que justificassem os valores recebidos.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. Segundo a investigação, o valor corresponde a recursos cuja origem não foi comprovada.
