Retorno às aulas ainda divide pais e especialistas

EDUCAÇÃO. Na última quarta, o Governo de SP anunciou a volta obrigatória às aulas presenciais. Pais, contudo, estão inseguros.

O retorno obrigatório acontece nesta segunda, mas a distância de 1 metro entre os alunos só será exigida até 3 de novembro

O retorno obrigatório acontece nesta segunda, mas a distância de 1 metro entre os alunos só será exigida até 3 de novembro | Rubens Cavallari/Folhapress

“Minha filha só retorna presencialmente à escola no ano que vem. Ela não está com o esquema vacinal completo e o meu filho menor é asmático, portanto, não me sinto segura de mandá-los para a escola. O colégio dela ainda não falou como irá funcionar após a determinação do governador, mas o que eu sei é que eles não retornam este ano, só faltam dois meses, não vou colocá-los em risco”, desabafa a professora de educação especial Erika Piassa, 49 anos, moradora de Bauru-SP, mãe de três filhos, sendo dois adolescentes em idade escolar, Vitória, de 16 anos, aluna de uma escola estadual profissionalizante, e Alexandre, de 13 anos.

A fala da professora representa um contingente de pais de 30% dos alunos da rede estadual que, segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, ainda não retornaram ao ensino presencial. Os números, contudo, devem mudar, a partir desta segunda-feira (18), quando o retorno às aulas presenciais no estado de São Paulo passará a ser obrigatório.

De volta à escola

O retorno à escola foi anunciado pelo governador João Dória (PSDB) na última quarta-feira (13). Na ocasião, o Secretário da Educação, Rossiele Soares, informou que a retomada obrigatória é válida para toda Educação Básica nas escolas estaduais, escolas privadas e todas as redes municipais vinculadas ao Conselho Estadual de Educação, e disse que, a partir de 3 de novembro, não será mais obrigatório o distanciamento de um metro entre os alunos.

“A educação precisa ser prioridade na sociedade. Fizemos todos os investimentos necessários para o cumprimento dos protocolos e essa volta tem total respaldo do Comitê Científico do Estado”, destacou Soares durante o anúncio.

Sobre as escolas que não são vinculadas ao Conselho Estadual de Educação, o que acontece, por exemplo, nas escolas municipais de cidades que possuem conselho próprio, poderão ser adotadas outras regras.

Escolas particulares

No caso das escolas particulares, as regras e os prazos para o retorno serão determinados pelos Conselhos de Educação. Contudo, também nestas escolas, já há pais preocupados.

“A minha filha não se sente segura em retornar presencialmente, pois o irmão com T21 (trissomia 21) apresenta imunidade baixa. Esse sentimento de insegurança parte do comportamento incoerente e egoísta de alguns alunos da escola dela, uma vez que não utilizam corretamente a máscara, não respeitam o distanciamento social, vão em festas todos os finais de semana e, desde o começo da pandemia, viajam sem respeitar a quarentena no retorno”, relata a analista de suporte e gestão, Marta Morangon Lopes, 49 anos, de São Paulo, mãe de Daniela, 16 anos, aluna do 1º ano do ensino médio de uma escola particular da zona sul da Capital.

A administradora Flávia Bastos Soares, de 39 anos, moradora do Jardim Monte Kemel, em São Paulo, também não se sente à vontade para mandar os filhos Lucas, de 12 anos, e Sofia, 7, de volta à escola e disse estar surpresa com a decisão do Estado.

“Recebi a decisão com certa surpresa, pois já estamos na metade de outubro e temos, praticamente, apenas mais dois meses de aulas para o início das férias. Acredito que o retorno deveria se dar no próximo ano, quando já teremos os jovens de 12 anos completamente vacinados e os idosos com a terceira dose concluída”, diz Flávia.

Retorno benéfico

Ainda que alguns pais se sintam receosos e acreditem que a volta às aulas presenciais próxima do fim do ano letivo não traga impactos significativos para o aprendizado, especialistas em educação avaliam a decisão como benéfica.

“Vejo esta decisão como acertada num momento em que a vacinação se expande e os protocolos exigidos já se inserem na vida das pessoas. A escola colabora não só para o aspecto cognitivo, mas também em aspectos sociais, emocionais e de proporcionar o ” aprender a conviver”, que é um dos pilares da educação”, reflete a pedagoga Maria Regina Zago Leite da Silva, diretora e mantenedora das Escolas Viverde.

“A educação é um direito fundamental e, portanto, precisa ser acessado. Na escola espera-se que os alunos adquiram não só conhecimento, como também possam experimentar relações de convivência, desenvolvendo suas habilidades sociais e, ao mesmo tempo, resguardando sua saúde mental. É na escola também que se oferece às crianças proteção contra a violência doméstica, contra o trabalho infantil e acesso à merenda escolar. A importância da frequência escolar é inegável e o retorno seguro às escolas é urgente.”, diz a pedagoga, doutora em Educação, Milena Colazingari da Silva, professora dos cursos de licenciatura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. (Gladys Magalhães)