A crise hídrica que atinge São Paulo neste ano de chuvas abaixo da média acelerou um investimento de R$ 300 milhões da Sabesp. A companhia antecipou a entrega de um novo sistema de bombeamento que leva água da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, para o Sistema Alto Tietê.
As obras que foram entregues e começaram a operar nesta segunda-feira (1º/12), adiciona até 2.500 litros por segundo ao reservatório, um reforço capaz de aumentar em 17% o volume disponível e beneficiar cerca de 22 milhões de pessoas.
Inicialmente prevista para junho de 2026, a entrega foi adiantada após a instalação de 11 geradores provisórios que garantem energia às bombas até que a rede definitiva seja concluída.
O objetivo é oferecer uma resposta rápida ao cenário de escassez: novembro registrou apenas 82,7 mm de chuva, bem abaixo da média histórica de 142,6 mm e o pior índice em dez anos.
Esse reforço integra um conjunto de medidas adotadas pelo governo estadual para preservar os mananciais. Desde agosto, vale as cidades de São Paulo enfrentam a redução da pressão da água no período noturno entre 19h e 5h, ação que já economizou 44 bilhões de litros.
Como funciona a nova captação
A água captada no ribeirão Sertãozinho, um dos formadores do rio Itapanhaú, a cerca de 60 km da Capital, percorre um trajeto de 9 quilômetros até o Sistema Alto Tietê. O caminho combina adutoras apoiadas no solo e um túnel escavado na montanha, próximo à rodovia Mogi-Bertioga.
Como a área é de serra, o sistema realiza um bombeamento inicial de 98 metros de altura e, depois, segue por gravidade.
Todo o processo foi pensado para reduzir o impacto ambiental. A Sabesp capta apenas o excedente do ribeirão, mantendo cerca de 1.000 litros por segundo em seu curso natural. As adutoras instaladas sobre blocos de concreto também evitam escavações profundas e preservam a vegetação da Serra do Mar.
Quando chega à represa Biritiba-Mirim, a água reforça diretamente o Sistema Alto Tietê. E, como os reservatórios da Grande São Paulo são interligados pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), todo o abastecimento da capital e das cidades vizinhas sente os efeitos imediatos da “água nova”.
