Saiba como se preparar para entrar no mercado de trabalho mesmo sem experiência

Para quem ainda está entrando no mercado, o desafio é transformar aquilo que já fez, mesmo fora de um emprego, em uma demonstração concreta de conhecimento, iniciativa e capacidade de aprender

Medida aprovada pela Câmara cria uma transição entre universidade e mercado de trabalho ao permitir a continuidade do estágio após a formatura (Foto: Pavel Danilyuk, Pexels)

Medida aprovada pela Câmara cria uma transição entre universidade e mercado de trabalho ao permitir a continuidade do estágio após a formatura / Pavel Danilyuk/Pexels

A falta de experiência profissional é uma das principais dificuldades enfrentadas por jovens que estão tentando ingressar no mercado de trabalho. Muitos candidatos iniciantes sentem que todas as vagas, mesmo as que exigem nível mais “júnior”, estão em busca de alguém com experiência. Esse problema, porém, pode ser enfrentada com estratégias que vão além do currículo.

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Uma pesquisa do Instituto Reciclar, organização voltada à educação, empregabilidade e inclusão produtiva de jovens, mostra que existe também um desacordo entre a formação escolar e as expectativas do mercado.

O levantamento “Panorama Juventudes e o Futuro do Trabalho 2026”, realizado com especialistas de recursos humanos e lideranças de 50 empresas brasileiras, aponta que metade das empresas considera que a escola prepara os jovens apenas razoavelmente para o mercado. Outros 33% avaliam que a preparação é baixa, enquanto 17% afirmam que ela não é adequada.

Nesse cenário, competências como comunicação, responsabilidade, proatividade, capacidade de resolver problemas e trabalho em equipe podem ganhar espaço nos processos seletivos. Para quem ainda não tem experiência formal, atividades realizadas durante a escola, faculdade, cursos, projetos pessoais ou voluntariado podem ajudar a demonstrar essas habilidades.

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Experiência não se resume à carteira assinada

Um dos primeiros passos para quem busca uma oportunidade é identificar experiências que possam ser transformadas em evidências de competências. A organização de um evento, a participação em um trabalho acadêmico, a administração das redes sociais de um projeto ou negócio familiar e até hobbies que envolvam conhecimentos técnicos podem demonstrar habilidades úteis para uma vaga.

Projetos escolares, por exemplo, podem evidenciar capacidade de trabalhar em equipe e organizar tarefas. Já atividades voluntárias podem mostrar responsabilidade e comprometimento. Quem edita vídeos, desenvolve sites, trabalha com planilhas ou produz conteúdo também pode transformar essas atividades em exemplos práticos de conhecimento.

A orientação é descrever essas experiências de maneira objetiva, indicando o que foi feito, quais ferramentas foram utilizadas e, quando possível, quais resultados foram alcançados.

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Currículo deve destacar competências e projetos

Para quem ainda não possui experiência profissional, o currículo pode priorizar formação, competências e atividades complementares. Dados de contato, objetivo profissional, escolaridade, cursos, ferramentas dominadas e projetos realizados são alguns dos elementos que podem compor o documento.

Também é importante adaptar o currículo à vaga. Se a descrição procura alguém com conhecimento em organização de documentos, por exemplo, vale destacar experiências que demonstrem essa habilidade. A utilização de termos relacionados à própria descrição da vaga também pode facilitar a identificação do perfil por sistemas automatizados de recrutamento.

Cursos gratuitos podem complementar o currículo, principalmente quando estão relacionados à área pretendida. Conteúdos de tecnologia, inteligência artificial, inglês, pacote Office, programação e gestão de projetos estão entre as possibilidades.

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Mais do que acumular certificados, no entanto, é importante conseguir demonstrar como aquele conhecimento foi aplicado.

Desenvolver habilidades socioemocionais é essencial

O conhecimento técnico é apenas uma parte do que pode ser observado em um processo seletivo. Segundo o Instituto Reciclar, competências socioemocionais têm papel importante na preparação dos jovens para o trabalho.

Comunicação, responsabilidade, iniciativa, colaboração e capacidade de lidar com desafios são exemplos de características que podem ser demonstradas durante uma entrevista ou por meio de experiências anteriores.

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Para Rafael Villares, diretor educacional e projetos do Instituto Reciclar, o principal desafio para muitos jovens não está na capacidade de aprender, mas no acesso às oportunidades que permitam desenvolver essas competências.

“Converso diariamente com os jovens do Instituto sobre a importância de sonhar e acreditar que podem ser o que quiserem”, afirma.

A experiência de Mariana Ferreira dos Santos, de 18 anos, é um exemplo citado pelo Instituto. Durante sua formação, ela trabalhou questões relacionadas à timidez e à comunicação e direcionou sua escolha profissional para a área jurídica. Depois, iniciou sua trajetória profissional como jovem aprendiz na Ashland, onde continua desenvolvendo suas habilidades.

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Onde procurar a primeira oportunidade

Algumas modalidades de contratação são tradicionalmente voltadas a pessoas que estão no início da carreira. Entre elas estão os programas de aprendizagem, estágio e trainee.

O programa de aprendizagem é destinado a jovens de 14 a 24 anos e combina atividades profissionais com formação. Já o estágio é voltado a estudantes do ensino médio, técnico ou superior e tem como objetivo proporcionar experiência prática relacionada à formação. Os programas de trainee, por sua vez, costumam ser direcionados a recém-formados e têm foco no desenvolvimento profissional dentro das empresas.

Além desses programas, vagas de atendimento ao cliente, varejo, apoio administrativo, logística, recepção e vendas podem representar portas de entrada para o mercado. Algumas posições na área de tecnologia também aceitam candidatos iniciantes que demonstrem conhecimentos básicos e disposição para aprender.

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Plataformas de emprego, sites de empresas, LinkedIn e organizações especializadas em inserção profissional podem ser utilizados na busca. Também vale acompanhar programas de aprendizagem, estágio e formação oferecidos por empresas e instituições.

Networking também começa antes do primeiro emprego

Construir uma rede de contatos não significa apenas conhecer pessoas que possam indicar uma vaga. Professores, colegas, profissionais da área de interesse e participantes de cursos e eventos podem ajudar o jovem a conhecer diferentes possibilidades de carreira e entender melhor as exigências de determinada profissão.

Feiras de profissões, palestras, cursos, eventos e iniciativas de organizações sociais são oportunidades para ampliar essa rede. No LinkedIn, acompanhar empresas e profissionais da área desejada também pode ajudar a conhecer oportunidades e tendências do mercado.

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Portfólio pode substituir a falta de experiência

Para determinadas áreas, um portfólio pode funcionar como uma demonstração prática das habilidades do candidato.

Quem deseja trabalhar com redes sociais, por exemplo, pode criar um projeto experimental e apresentar os conteúdos produzidos e seus resultados. Na programação, projetos pessoais podem ser reunidos em plataformas como o GitHub. Para uma vaga administrativa, uma planilha de controle financeiro ou organização de dados pode demonstrar domínio de ferramentas e capacidade de estruturar informações.

Em vez de apenas afirmar que sabe fazer alguma coisa, o candidato apresenta uma evidência do que consegue produzir. Trabalhos voluntários e pequenos projetos freelancers também podem contribuir para a construção desse material. O importante é documentar as atividades, guardar links, registros e resultados e explicar qual foi a participação do candidato em cada iniciativa.

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Como se preparar para a entrevista

Na entrevista, a falta de experiência pode ser compensada pela capacidade de apresentar situações concretas em que determinadas competências foram utilizadas.

Uma estratégia é organizar as respostas pelo método STAR, sigla em inglês para Situação, Tarefa, Ação e Resultado. O candidato pode começar explicando o contexto, apresentar qual era o desafio, contar o que fez para solucioná-lo e concluir com o resultado alcançado.

Assim, uma experiência acadêmica pode se transformar em um exemplo de organização e trabalho em equipe. Uma atividade voluntária pode demonstrar responsabilidade. Já um projeto pessoal pode evidenciar iniciativa e capacidade de aprender.

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Em vez de responder apenas que possui determinada qualidade, o candidato consegue mostrar como ela foi colocada em prática.

Um plano ajuda a começar

A busca pelo primeiro emprego também pode ser organizada em etapas. No início, o candidato pode definir a área de interesse, preparar o currículo, atualizar o perfil profissional nas redes e buscar cursos relacionados ao objetivo.

Em seguida, é possível estabelecer uma rotina de candidaturas, personalizar o currículo para cada oportunidade, iniciar um projeto para o portfólio e ampliar a rede de contatos. Depois, os resultados das candidaturas podem ser analisados para ajustar currículo, preparação para entrevistas e estratégia de busca.

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O primeiro emprego não precisa começar necessariamente com uma experiência formal. Cursos, projetos, voluntariado e atividades realizadas durante a formação também podem ajudar a construir as primeiras evidências profissionais.

Para quem ainda está entrando no mercado, o desafio é transformar aquilo que já fez, mesmo fora de um emprego, em uma demonstração concreta de conhecimento, iniciativa e capacidade de aprender.