O Estado de São Paulo ampliou o uso de tecnologia como estratégia central de combate ao crime e consolidou, em 2025, um dos maiores sistemas de vigilância inteligente do Brasil.
Batizado de Muralha Paulista, o programa cobre mais de 90% dos municípios paulistas e conecta milhares de câmeras a bancos de dados policiais, transformando monitoramento urbano em ferramenta ativa de investigação e prevenção.
Ao todo, o sistema integra cerca de 94 mil câmeras, entre leitores de placas (20 mil), equipamentos de reconhecimento facial (7 mil) e dispositivos de monitoramento em tempo real (66 mil).
A rede reúne imagens de órgãos públicos e parceiros privados, cruzadas com bases nacionais de dados e indicadores de localização, o que permite respostas mais rápidas das forças policiais e especializadas.
Muralha Paulista
Um dos diferenciais do Muralha Paulista é a capacidade de identificar automaticamente foragidos da Justiça, por meio do cruzamento das imagens com o Banco Nacional de Mandados de Prisão.
A tecnologia também auxilia na localização de pessoas desaparecidas e na recuperação de veículos furtados ou roubados, a partir da leitura inteligente de placas.
A atuação integrada já resultou em operações de grande impacto. Em 5 de dezembro, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista, um caminhão monitorado pelo sistema havia cerca de dois meses foi interceptado após análise de dados e imagens.
Na abordagem, policiais localizaram 1,5 tonelada de maconha escondida em uma carga de banheiros químicos, e o motorista foi preso em flagrante.
De acordo com o coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle, tenente-coronel Rodrigo Vilardi, o uso estratégico das câmeras tem relação direta com a redução dos crimes no estado.
Até outubro deste ano, São Paulo registrou os menores índices de roubos, latrocínios e homicídios desde 2001, início da série histórica.
Com a expansão do Muralha Paulista, o governo estadual aposta na inteligência artificial e na integração de dados como pilares de um novo modelo de segurança pública, baseado não apenas na reação, mas na antecipação de crimes.
