O Super El Niño pode influenciar o clima brasileiro entre setembro e dezembro de 2026. O fenômeno atua no Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica, modificando as condições de temperatura e chuva em diferentes áreas do país.
Super El Niño aumenta atenção para o calor em 2026
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) analisou registros de temperatura de décadas anteriores para avaliar o comportamento das ondas de calor durante episódios de El Niño. A análise indica uma média de seis ocorrências até o fim do ano em cenários semelhantes.
O número, porém, não representa uma previsão fechada. A quantidade de ondas de calor pode variar conforme a evolução do fenômeno e de outros fatores atmosféricos.
O órgão também aponta que esses eventos ficaram mais frequentes nas últimas décadas. Desde os anos 2000, o aumento ocorreu em diferentes estados brasileiros.
El Niño pode atingir intensidade muito forte
O El Niño de 2026 já foi confirmado pelas instituições que integram o Painel El Niño. Os modelos indicam permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.
O boletim mais recente do grupo aponta probabilidade superior a 90% de um evento muito forte entre setembro e novembro. A intensidade considera o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) também mantém o El Niño como cenário dominante nas projeções para os próximos meses. Os dados oficiais de setembro apontam probabilidade de 100% para o fenômeno entre agosto e dezembro.
Quais regiões podem sentir mais os efeitos
O cenário previsto não será igual em todo o território nacional. O Centro-Oeste aparece entre as áreas com maior possibilidade de registrar períodos de calor acima da média.
O Norte e o Nordeste também exigem atenção. A combinação entre temperaturas elevadas e chuva abaixo da média pode favorecer condições de seca em determinadas áreas.
Na Região Sul, o padrão pode ser diferente. Os modelos utilizados pelo Painel El Niño indicam maior probabilidade de chuva acima da média em parte da região.
Seca pode aumentar risco de incêndios
O calor não atua sozinho na formação de condições favoráveis aos incêndios. A redução da chuva e da umidade do solo também pode deixar a vegetação mais suscetível ao fogo.
O Cemaden aponta que a combinação desses fatores merece atenção na Amazônia, no Pantanal e em áreas do Centro-Oeste. A intensidade do risco dependerá das condições observadas em cada local.
O órgão ressalta que as ondas de calor podem ocorrer mesmo sem El Niño. O fenômeno, porém, pode aumentar a chance e os impactos desses episódios quando outros fatores climáticos também atuam.
Por que o calor preocupa além das temperaturas
As ondas de calor podem aumentar a demanda por água e energia. O período prolongado de temperaturas elevadas também pode afetar atividades agrícolas e aumentar a pressão sobre serviços essenciais.
Outro fator considerado pelos pesquisadores é o aquecimento global. O aumento da temperatura média cria uma base mais quente para a atuação de fenômenos naturais.
Por isso, um mesmo padrão atmosférico pode produzir temperaturas mais altas atualmente do que em décadas anteriores. O comportamento varia conforme a região e as condições meteorológicas de cada período.
O cenário para os últimos meses de 2026 ainda pode mudar com novas atualizações dos modelos climáticos. O acompanhamento dos boletins do Cemaden, INMET e INPE será importante para identificar mudanças nas condições de calor, chuva e seca.
