O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, afirmou neste domingo (16/8) que o episódio envolvendo uma suposta perseguição da Polícia Militar (PM) ao motorista de Fernando Haddad (PT) foi uma “falsa comunicação de crime”.
Segundo Tarcísio, a Polícia Militar analisou imagens de mais de 70 câmeras na região e cruzou as gravações com os dados de GPS das viaturas que estavam no local. De acordo com o governador, a apuração não encontrou indícios de perseguição, abordagem ou contato dos policiais com o motorista.
“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque, se houvesse algum problema, se houvesse algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente aqueles que atuaram no desvio de conduta. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, afirmou Tarcísio.
O caso agora também será analisado pela Polícia Civil. O motorista deverá ser chamado para prestar depoimento, enquanto as autoridades devem reunir imagens de segurança e informações sobre o deslocamento das viaturas para concluir a investigação.
Polícia cruza imagens com GPS das viaturas
Tarcísio reconheceu que algumas viaturas passaram pelo mesmo trajeto percorrido pelo motorista de Haddad, mas afirmou que a análise dos dados não aponta para uma perseguição.
“A gente percebe também nas imagens, a gente analisou imagens de mais de 70 câmeras, que não houve nenhuma abordagem, não houve contato dos policiais no carro dele”, declarou.
Segundo o governador, uma das viaturas teria passado pela rua da residência de Haddad e, posteriormente, seguido para o estacionamento de um batalhão. Em outro momento, uma equipe teria passado próxima ao hotel onde o motorista estava, sem parar ou realizar qualquer abordagem.
A PM já havia informado que fez uma análise preliminar de cerca de 40 câmeras públicas, residenciais e comerciais no trajeto indicado pelo motorista. Na ocasião, a corporação disse não ter encontrado indícios de abordagem irregular ou interação entre os policiais e Haddad ou integrantes de sua equipe.
A identificação e o deslocamento das viaturas também foram conferidos por meio do sistema de geolocalização dos veículos policiais.
Entenda o que aconteceu
O episódio aconteceu na noite de terça-feira (11/8), após o motorista deixar Haddad em sua residência, em São Paulo. Segundo o candidato do PT, o funcionário relatou ter sido acompanhado por uma viatura da PM e ficou assustado com a situação.
Uma cronologia com relatos, mensagens e imagens de câmeras de segurança foi enviada com exclusividade à Gazeta por uma fonte da Polícia Militar para detalhar o episódio envolvendo o motorista de Fernando Haddad (PT).
Haddad afirmou que o motorista teria sido seguido por cerca de cinco quilômetros e relatou que ele ficou abalado após perceber a presença de policiais armados.
Durante uma agenda em Sertãozinho, no interior de São Paulo, Haddad disse que conversou com o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, e indicou locais onde poderiam existir imagens capazes de esclarecer o episódio, incluindo câmeras de um hotel e do sistema Smart Sampa.
“Espero que nada disso se confirme. Quero que tudo não passe de um grande mal-entendido, mas precisa explicar”, afirmou o candidato.
Haddad também declarou que não pretende “dramatizar” o episódio, mas defendeu que o motorista seja tratado com respeito pelas autoridades.
“Não estamos querendo dramatizar nada. Estamos querendo que um cidadão, um trabalhador, seja respeitado pelo poder público. Mais nada”, disse.
A campanha de Haddad ainda apresentou uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral, pedindo a abertura de um Procedimento Preparatório Eleitoral.
A Secretaria da Segurança Pública informou que determinou a identificação das equipes que passaram pela região no período indicado para esclarecer as circunstâncias do caso. A pasta afirmou ainda que eventuais desvios de conduta deverão ser investigados.
Com a conclusão da apuração da PM, a Polícia Civil deverá reunir as informações disponíveis, incluindo imagens de segurança e dados de GPS, além de ouvir o motorista de Haddad antes de finalizar o inquérito.
